O som do pi­a­no vi­nha lá do fun­do. Não lem­bro a me­lo­dia. Atrás do véu, um ros­to frá­gil pres­ta­va aten­ção à par­ti­tu­ra. Fa­zia aqui­lo com amor. Ten­tei me apro­xi­mar, mas não dei­xa­ram. O sa­lão es­ta­va cheio de gen­te. Ou­vi­am em si­lên­cio. Quan­do a pe­ça aca­bou, só eu aplau­di. Os ou­tros con­ti­nu­a­ram sé­ri­os. Olhei bem: eram bo­ne­cos de ce­ra. A pi­a­nis­ta cho­ra­va:

- Meu Deus, quan­do eu te­rei uma pla­téia de ver­da­de?

- Es­tou aqui - eu dis­se. - E te amo, e amo tua mú­si­ca.

Ela apon­tou pa­ra as cor­das em meus bra­ços e per­nas:

- Mas tu, po­bre, és ape­nas um ma­ri­o­ne­te.

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