Crônicas, Geral

Meu amigo Déco

sexta-feira, 18 de julho de 2008 Texto de

Te­nho um grande amigo que se chama Déco. Aliás, este é o ape­lido dele. Logo que co­me­cei a es­tu­dar jor­na­lismo, no co­meço dos anos 1980, eu era só­cio de um jor­nal que con­cor­ria com o dele. Mas as­sim mesmo nos tor­na­mos muito pró­xi­mos. Ami­gos. Não é pre­ciso acres­cen­tar “de ver­dade” por­que se o amigo não for “de ver­dade”, não é amigo. Pas­sa­mos bons anos na­que­les tem­pos. O Déco sem­pre foi um su­jeito muito to­pe­tudo, como às ve­zes se diz da­que­les que não têm medo de cara feia e muito me­nos das con­seqüên­cias de sua ori­gi­na­li­dade. E daí é que vem este in­crí­vel caso.

Numa da­que­las elei­ções mu­ni­ci­pais, o jor­nal dele se po­si­ci­o­nou ao lado de um can­di­dato. E pas­sou toda a cam­pa­nha di­zendo que o cara ia ga­nhar. Aos do­min­gos, quando os as­si­nan­tes re­ce­biam o se­ma­ná­rio, lá es­tava a cer­teza da vi­tó­ria es­tam­pada em se­gui­das man­che­tes oti­mis­tas. Veio a elei­ção e o ad­ver­sá­rio le­vou a me­lhor. Não foi uma vi­tó­ria es­tron­dosa. Mas foi uma vi­tó­ria. O can­di­dato que o Déco apoiou du­rante os me­ses de cam­pa­nha per­deu.

Na edi­ção de seu jor­nal, o Déco não teve dú­vi­das. Tal­vez sem ima­gi­nar o ta­ma­nho do feito, ele criou na ver­dade um grande “case” (como ado­ra­mos pro­nun­ciar em nos­sas ri­dí­cu­las co­pi­a­zi­nhas de como fa­lam lá em cima). O “case”, o feito, um dos ca­sos mais inu­si­ta­dos do jor­na­lismo tu­pi­ni­quim, traduziu-se nesta man­chete:

Elei­ções mu­ni­ci­pais
SEM COMENTÁRIOS

Sim, o Déco man­dou todo mundo às fa­vas. Não quis nem sa­ber. Nem se­quer o re­sul­tado ele pu­bli­cou. Per­deu a elei­ção, mas não per­deu a pose.

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