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A Festa no Castelo de Moacyr Scliar

domingo, 30 de setembro de 2007 Texto de

O ro­mance não é ex­tenso, mas a nar­ra­tiva prende o lei­tor por con­tar duas his­tó­rias: o mundo re­quin­tado da aris­to­cra­cia ide­a­lista e a ami­zade de um ve­lho sa­pa­teiro e um jo­vem ide­a­lista, que vi­vem no Sul do Bra­sil nos me­a­dos de 1964, ano do Golpe mi­li­tar. No iní­cio as his­tó­rias pa­re­cem não ter li­ga­ção. Con­tudo, com o pas­sar das pá­gi­nas, percebe-se que há uma in­ter­ces­são.

Além de con­tar um pouco a his­tó­ria do Bra­sil re­cente, A Festa no Cas­telo faz uma crí­tica tanto da So­ci­e­dade Ca­pi­ta­lista ex­plo­ra­dora como aos re­vo­lu­ci­o­ná­rios ide­a­lis­tas da época. Prin­ci­pal­mente a di­fí­cil ta­refa de con­ci­liar a te­o­ria so­ci­a­lista ou co­mu­nista com a prá­tica.

O nar­ra­dor e pro­ta­go­nista, o jo­vem ide­a­lista Fer­nando, deixa claro que as his­tó­rias que con­tava não eram o que gos­ta­ria de nar­rar. Há uma certa de­si­lu­são por não con­cre­ti­zar os seus so­nhos ide­a­lis­tas e re­vo­lu­ci­o­ná­rios de aju­dar o povo. Decepciona-se com seu me­lhor amigo, o sa­pa­teiro co­mu­nista Ni­colla Col­leti.

A his­tó­ria mos­trou o pro­cesso de de­sen­can­ta­mento que so­fre­mos quando cres­ce­mos, prin­ci­pal­mente uma ge­ra­ção que acre­di­tava que o so­ci­a­lismo aca­ba­ria com as in­jus­ti­ças do Ca­pi­ta­lismo.

Con­ciso, Mo­acyr Scliar evi­den­ciou num prisma par­ti­cu­lar os pa­ra­dig­mas e ide­ais de uma época. 

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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