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Sem foco – Texto de Dudu Oliva

quarta-feira, 3 de outubro de 2007 Texto de

Mú­sica bo­nita, não sei quem canta; pre­ciso to­mar o re­mé­dio; es­tou com um li­vro do Cor­tá­zar, mas não con­sigo me con­cen­trar; a mo­no­gra­fia de fi­nal de curso, nem te­nho idéia do que vou fa­zer; o mé­dico da emer­gên­cia que me aten­deu no sá­bado é muito grosso, ora bo­las, se fui ao hos­pi­tal era por­que não es­tava me sen­tindo bem, disse que a emer­gên­cia só era para ca­sos gra­ves, fui lá para quê? brin­car de ama­re­li­nha? o pro­fes­sor disse que te­nho que ter um tema de­fi­nido e hi­pó­te­ses, como vou fa­zer isto? es­tas re­gri­nhas para fa­zer mo­no­gra­fia sem­pre em­ba­ra­lham mi­nha ca­beça; não sou fã de mangá, po­rém, gosto de ver es­tes de­se­nhos ja­po­ne­ses prin­ci­pal­mente pe­los olhos enor­mes dos bo­ne­cos; uma vez, as­sis­tindo a um pro­grama de TV co­mu­ni­tá­ria, fi­quei sa­bendo que os de­se­nhis­tas fa­ziam deste jeito por par­ti­rem do pres­su­posto que os olhos são es­pe­lhos da alma; es­tou sem idéias ori­gi­nais para atu­a­li­zar os meus blogs; quando es­tou as­sim, re­es­crevo, uma pes­soa co­men­tou que es­tou pu­bli­cando muita coisa re­pe­tida, pode até ser… mas quando se es­creve no­va­mente, existe a opor­tu­ni­dade de fa­zer um ou­tro bem me­lhor; gosto de ler e es­cre­ver mi­cro­con­tos são uma ex­plo­são in­tui­tiva; ul­ti­ma­mente es­tou sen­tindo muita in­veja; é que co­meço a ter ob­je­ti­vos e de­se­jos, an­tes vi­via anes­te­si­ado, sei lá… tal­vez seja me­lhor vi­ver no va­zio; mi­nhas so­bri­nhas es­tão cres­cendo, são lin­das, gosto de­las ape­sar de não ter pa­ci­ên­cia com cri­ança; por isso, a cada dia que passa, a idéia de não ter fi­lhos se con­cre­tiza; criar é do­a­ção quase cem por cento, além do sus­tento, deve ter pa­ci­ên­cia para brin­car e con­ver­sar, não acho que as pes­soas sem fi­lhos são egoís­tas, tem tan­tos pais e mães que só pen­sam ne­les e dei­xam os fi­lhos lar­ga­dos por aí; en­gra­çado, perdi o en­canto de ver no­ve­las bra­si­lei­ras, me amarro em as­sis­tir as me­xi­ca­nas, morro de rir; uma co­lega es­cre­veu no Or­kut que o pro­fes­sor vai con­ti­nuar a co­men­tar o “texto com­pli­cado e in­te­res­sante” na pró­xima aula, vou ver se dou uma lida; mi­nha ca­beça está tão cheia, será que vai pi­far?; aperto no peito, pre­ciso ter es­pe­rança; fi­nal do ano, o tempo voa; 00:43 pre­ciso dor­mir; 1, 2, 3 car­nei­ri­nhos pu­lando a cerca. 

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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