Crônicas

Papo com meu Blog

quinta-feira, 6 de novembro de 2014 Texto de

- E aí, meu Blog, blz? Há quan­to tem­po...

- Fa­la aí, Mar­cião.

- Es­tou meio em fal­ta com vo­cê.

- Tran­qui­lo, às ve­zes é bom dar um tem­po.

- É, mas não pu­bli­co na­da aqui des­de o dia 22 de ou­tu­bro. Aliás, o con­to que pu­bli­quei nem era iné­di­to. Foi uma re­pu­bli­ca­ção. Sa­ca­na­gem, né? rs­ss

- Eu vi que era, mas, vo­cê sa­be, acei­to tu­do aqui.

- Vou ver se não te dei­xo tan­to tem­po na mão ou­tra vez.

- Es­tou sem­pre à dis­po­si­ção...

- Por­ra, eu sei dis­so! Vai fi­car aí nes­sa po­si­ção con­for­tá­vel? Ok, ok, ok? Sim, se­nhor, sim, se­nhor, sim, se­nhor?

- Ué, o que vo­cê quer que eu di­ga?

- Não sei. Qual­quer coi­sa, me­nos fi­car tão pas­si­vo.

- En­gra­ça­do, pu­bli­co to­das as mer­das que vo­cê es­cre­ve e ago­ra vo­cê vem me dar es­sa du­ra?

- Po­xa, não pre­ci­sa ape­lar, né?

- Tá ven­do? Vo­cês, jor­na­lis­tas, es­cri­to­res e não sei o que mais, são chei­os de não me to­ques...

- Tá cer­to, pe­ço des­cul­pas. É que ho­je não es­tou num bom dia. Sa­be quan­do vo­cê se sen­te amar­go?

- Por quê? Al­go es­pe­cí­fi­co ou é o con­jun­to da obra? Ahahahahahah

- Mui­to en­gra­ça­do...

- Não, sé­rio, vai...

- Acho que é o con­jun­to da obra. De re­pen­te, ba­te um sen­ti­men­to de im­po­tên­cia até di­an­te da ne­ces­si­da­de que sin­to de es­cre­ver pra vo­cê.

- Pô, Mar­cião, es­cre­ve aí e pron­to!

- Não é tão sim­ples.

- Co­mo as­sim?

- Sei lá, pa­re­ce que já es­cre­ve­ram tu­do!

- Ahahahahahahhaha... boa!

- Ver­da­de! Às ve­zes, te­nho es­sa sen­sa­ção. Pa­re­ce que tu­do que vo­cê es­cre­ve já foi di­to.

- Cri­se de cri­a­ti­vi­da­de ou se­ria a ve­lo­ci­da­de da in­for­ma­ção?

- Acho que tu­do jun­to. Ho­je, por exem­plo, pen­sei em pu­bli­car um tex­to so­bre a pre­pon­de­rân­cia dos tí­tu­los so­bre a prá­ti­ca, is­so, bem en­ten­di­do, em qual­quer ati­vi­da­de.

- E por que não es­cre­ve?

- Pois é, eu fi­quei pu­to com uma de­ter­mi­na­da si­tu­a­ção e aca­bei de­sa­ba­fan­do no fa­ce­bo­ok.

- Ah, cla­ro...

- Não se cha­teie, é que tex­tos mais cur­tos eu só pu­bli­co lá. Até pen­sei em pu­bli­car vá­ri­os jun­tos aqui, mas não sei...

- Bom, mas se vo­cê pu­bli­cou lá...

- Pois é, mas lá, com es­ses tex­tos cur­tos, vo­cê não con­se­gue en­ta­bu­lar uma ideia por com­ple­to, né?

- Pois es­cre­va aqui!

- Mas aí mui­ta gen­te tem pre­gui­ça de en­trar pra ler, sa­ca?

- É, eu sei...

- Ago­ra à tar­de­zi­nha, por exem­plo, ca­mi­nhan­do na rua, me deu von­ta­de de es­cre­ver so­bre uma ce­na, mas ao mes­mo tem­po fi­quei pen­san­do: se­rá que as pes­so­as es­tão a fim de ler so­bre coi­sas sim­ples, sem so­bres­sal­tos, sem bom­bas, sem de­ca­pi­ta­ções?

- E por que não? O mun­do não é es­sa pól­vo­ra to­da. Há mui­ta sen­si­bi­li­da­de por aí, vo­cê sa­be mui­to bem dis­so.

- Sim, é ver­da­de, mas quan­do a gen­te vê to­das as fu­ti­li­da­des reu­ni­das no uni­ver­so vir­tu­al, dá von­ta­de de chu­tar o bal­de.

- Eu acho que vo­cê não de­ve­ria se pre­o­cu­par com es­se tal uni­ver­so vir­tu­al...

- Des­cul­pe por eu não ser uma des­sas gos­to­so­nas bom­ba­das. A gen­te ia fa­zer mui­to bel­fie pra cha­mar aten­ção, não ia? Ahahhahahah... Vo­cê ia ga­nhar mui­ta vi­si­bi­li­da­de...

- E que vi­si­bi­li­da­de... rs­ss... Mas qual foi a ce­na de ho­je à tar­de­zi­nha?

- Na­da de es­pe­ta­cu­lar. Ain­da es­ta­va sol e de re­pen­te eu sen­ti uma go­ta fria na tes­ta. Olhei pra ci­ma e ha­via uma nu­vem bai­xa. As go­tas eram bem es­par­sas, mas ou­tras pes­so­as tam­bém as sen­ti­am. E aí é que es­tá a ce­na: eu olhei rua abai­xo e di­vi­sei uma dú­zia ou mais de an­dan­tes e to­dos eles olha­vam pa­ra o céu e abri­am os bra­ços pa­ra sen­ti-las cain­do so­bre a pe­le.

- En­ten­do, e o que mais?

- Na­da. Na­da mais, só is­so mes­mo. Tá ven­do? Vo­cê acha que va­le a pe­na es­cre­ver so­bre is­so?

- Bom...

- Ah, pa­ra, vo­cê não pre­ci­sa dis­so.

- Quem po­de sa­ber se vo­cê não es­cre­ver?

- Dá pra de­du­zir, não dá?

- Não sei, a ló­gi­ca às ve­zes se per­de en­tre a sim­pli­ci­da­de que faz tan­ta fal­ta ao mun­do, não é?

- Por­ra, até que vo­cê não se saiu mal... rs­ss

- Acho que vo­cê de­ve­ria es­cre­ver sim. Di­go, es­cre­ver tam­bém so­bre coi­sas que vo­cê acha sem atra­ti­vos ou sim­ples de­mais di­an­te da pa­ra­fer­ná­lia tec­no­ló­gi­ca de ho­je em dia.

- Tal­vez vo­cê te­nha ra­zão, tal­vez eu es­cre­va sim...

- Pen­se nis­so...

- Vou pen­sar...

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