Impressões

A mão que pega o filme

quarta-feira, 14 de novembro de 2012 Texto de

Não sei se acon­tece com muita gente, mas co­migo é di­reto. Na lo­ca­dora, gosto de pe­gar fil­mes so­bre os quais não li, obras ex­cluí­das da in­ter­mi­ná­vel lista do bes­tei­rol hollywo­o­di­ano. Claro que às ve­zes é de Hollywood mesmo: pri­vada tam­bém tem pa­pel hi­gi­ê­nico. En­fim, sem­pre acerto (para meu gosto, bem dito). E acon­te­ceu de novo. Ti­rei “A pri­meira coisa bela”. Aliás, em ita­li­ano fica ainda mais bela: “La prima cosa bella”.

O filme é do ita­li­ano Pa­olo Virzi. Pelo que vi na in­ter­net, nas­ceu no mesmo ano que eu: 1964. Que in­veja! Como eu gos­ta­ria de ter feito esse filme! Um drama com to­dos os in­gre­di­en­tes de um drama ita­li­ano: pai­xão, trai­ção, fu­ne­ral, ca­sa­mento, gente que fala sem pa­rar…

A his­tó­ria se passa em Li­vorno, li­to­ral da Itá­lia, em dois mo­men­tos: no iní­cio dos anos 1970, quando uma mu­lher (Anna) cheia de in­fe­li­ci­da­des e fora dos pa­drões con­ven­ci­o­nais da época so­fre para cui­dar de seus dois fi­lhos – um me­nino e uma me­nina, e nos dias atu­ais, quando Bruno, o fi­lho, é cha­mado pela irmã para acom­pa­nhar os úl­ti­mos dias da mãe, do­ente ter­mi­nal.

A par­tir desse cha­mado é que tudo se de­sen­rola. O fi­lho, que se afas­tou de to­dos, volta e passa a re­vi­ver e a en­fren­tar as amar­gu­ras do pas­sado, época em que con­vi­veu com os trau­mas da se­pa­ra­ção dos pais e da fama de sua mãe, com­posta a par­tir de sua be­leza e dos amo­res que teve.

Filme co­mo­vente que, para me co­mo­ver ainda mais, toca aquela parte ma­ra­vi­lhosa de “Ca­val­le­ria Rus­ti­cana”, o cha­mado in­ter­mezzo, num mo­mento cru­cial: o ca­sa­mento (mas não é um sim­ples ca­sa­mento).

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