Os gran­des mo­men­tos da his­tó­ria guar­dam tam­bém gran­des his­tó­rias de per­so­na­gens que per­ma­ne­cem anô­ni­mos… até que suas his­tó­rias se­jam con­ta­das.  Em agosto, PATER, o novo ro­mance de Márcio ABC


No ani­ver­sá­rio de vinte anos da queda do go­verno Col­lor, a his­tó­ria co­mo­vente de um co­ro­nel do exér­cito e um es­tu­dante cara-pintada, pai e fi­lho vi­vendo um drama per­tur­ba­dor.


VEJA COMO SURGIU A IDEIA

Foi mais ou me­nos as­sim.

En­tre os dias 18 de ou­tu­bro e 28 de no­vem­bro de 2011, es­crevi com­pul­si­va­mente. Eu ha­via acor­dado no meio da ma­dru­gada com uma his­tó­ria na ca­beça. Isso já ha­via acon­te­cido an­tes, mas ape­nas de modo frag­men­tado. Par­tes de um dos meus ro­man­ces ou de um conto qual­quer ex­plo­diam do nada. Dessa vez, foi tudo, a ideia toda.

Cu­ri­o­sa­mente, ha­via pouco tempo al­guns ami­gos ti­nham co­me­çado a ler a pri­meira ver­são (que de­pois des­co­bri es­tar ainda num es­tado bem bruto) de ou­tro ro­mance meu, que nem sei se será pu­bli­cado um dia por­que está di­fí­cil la­pi­dar. Dar um texto meu para al­guém ler é para mim um exer­cí­cio pe­noso. Me sinto cons­tran­gido, não sei ex­pli­car exa­ta­mente o porquê.

No caso de “Des­rumo”, por exem­plo, en­viei ao es­cri­tor gaú­cho Le­o­nardo Bra­si­li­ense, de quem fi­quei amigo pela in­ter­net. Tal­vez a dis­tân­cia e a au­sên­cia do con­tato pes­soal te­nham fa­ci­li­tado as coi­sas para mim. O Le­o­nardo, um ven­ce­dor do Ja­buti, foi como sem­pre fan­tás­tico, ana­li­sando pa­ci­en­te­mente um li­vro ex­tenso. Meu pri­meiro ro­mance, “Pa­ra­bala”, foi lido por ou­tro es­cri­tor gaú­cho, o Vi­tor Bi­a­soli, tam­bém for­mi­dá­vel, dedicando-se a uma obra de al­guém que ele nunca ou­vira fa­lar.

Desta vez, como al­guns ami­gos pró­xi­mos já es­ta­vam lendo o tal ou­tro ro­mance que eu não sei se um dia será pu­bli­cado, re­solvi ten­tar uma aná­lise crí­tica da obra com um pro­fis­si­o­nal sem qual­quer re­la­ção co­migo. E, por meio de si­tes es­pe­ci­a­li­za­dos em li­te­ra­tura, a in­di­ca­ção re­caiu so­bre a crí­tica li­te­rá­ria e dou­tora em li­te­ra­tura Lú­cia Facco. Ela é do Rio de Ja­neiro e en­viou uma res­posta que me sur­pre­en­deu pela re­cep­ti­vi­dade e en­tu­si­asmo so­bre o texto. As­sim pude me sen­tir se­guro para mandá-lo a al­gu­mas edi­to­ras.

Há cerca de três me­ses, a Giz Edi­to­rial se in­te­res­sou pela pu­bli­ca­ção. O li­vro está em fase de pro­du­ção. A pre­vi­são é que o li­vro che­gue ao mer­cado no iní­cio do se­gundo se­mes­tre.

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