Crônicas

Estranho sonho com amigo morto

quarta-feira, 29 de junho de 2011 Texto de


So­nhei na noite pas­sada com um amigo que mor­reu há um bom tempo. Era des­ses ami­gos bem re­la­xa­dos mesmo. Mais ve­lho, be­bia pra ca­ramba e era o maior men­ti­roso que já co­nheci. Mas o mais en­gra­çado é que, ao con­trá­rio de muita gente que nos conta men­ti­ras e ao mesmo tempo nos ir­rita, ele ti­nha o dom de contá-las de um modo que, de­pois, não tí­nha­mos ou­tra saída que não fosse rir. 

Nós che­gá­va­mos a incentivá-lo. Por­que isso fa­zia bem a ele. Eram lo­ro­tas sem mal­dade. Não apre­sen­ta­vam as clás­si­cas co­no­ta­ções do ego­cen­trismo ou do nar­ci­sismo ou do mo­derno mar­ke­ting pes­soal. Di­zia, por exem­plo, ter tra­ba­lhado no Grupo Fo­lha. Fa­lava de Cló­vis Rossi ou de Cláu­dio Abramo como se fos­sem ve­lhos ami­gos dele. Nós sa­bía­mos que as in­for­ma­ções não ba­tiam. Mas dei­xá­va­mos a coisa ro­lar.

Era um eterno duro. Sem­pre pre­ci­sá­va­mos pa­gar a conta dele. Pro­me­tia que ama­nhã nos da­ria o di­nheiro, mas nunca deu. E nós sa­bía­mos que nunca da­ria. Era um di­nheiro que gas­tá­va­mos com sa­tis­fa­ção por­que até isso era en­gra­çado, mesmo quando, mi­nu­tos an­tes, ele ha­via des­pe­jado um monte de his­tó­rias cu­jos fins sem­pre lhe eram fa­vo­rá­veis fi­nan­cei­ra­mente. Cu­ri­o­sa­mente, so­nhei que ele es­tava numa fila do INSS. Eu o vi e pen­sei: mas como pode ser isso se ele mor­reu? Con­ver­sa­mos e ele, como sem­pre, disse que es­tava sem di­nheiro.

Um amigo que tam­bém era amigo dele, a quem con­tei o so­nho, confessou-me acre­di­tar num plano es­pi­ri­tual a par­tir do qual pode ocor­rer al­gum tipo de con­tato, seja em so­nhos ou de al­gum ou­tro modo. Não sei. Acho que tam­bém te­nho pro­pen­são a acre­di­tar em algo as­sim. Mas no caso do meu so­nho, acho que foi só sau­dade.

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