Impressões

Guerras do presente e do passado

segunda-feira, 11 de outubro de 2010 Texto de


En­quanto neste fim de se­mana um mon­tão de gente foi ver “Tropa de elite 2”, eu vi três fil­mes. O pri­meiro foi “Lord Jim”, que eu com­prei no Sub­ma­rino. Fa­zia tempo que eu que­ria as­sis­tir. Mas nunca achei nas lo­ca­do­ras. “Ah, acho que esse eu vou fi­car de­vendo.” “Vou es­tar pro­cu­rando em nosso ar­quivo, mas não sei não…” “Será que já che­gou ao Bra­sil?” Bem, o filme é de 1965. E tem Pe­ter O’ To­ole no pa­pel prin­ci­pal.

Ba­se­ado no li­vro ex­tra­or­di­ná­rio de Jo­seph Con­rad, o filme narra a saga de Ja­mes Burke, pri­meiro ofi­cial de um na­vio a va­por que aban­dona a em­bar­ca­ção du­rante uma tem­pes­tade e vai car­re­gar para sem­pre o peso de sua co­var­dia.

Além de Pe­ter O’ To­ole, des­ta­que para Eli Wal­lach, ex­cep­ci­o­nal ator que fez mui­tos fil­mes que eu gosto. Ele foi o feio Tuco em “Três ho­mens em con­flito” e o Don Al­to­bello em “O po­de­roso che­fão – parte III”. Tra­ba­lhou tam­bém, en­tre ou­tros, em “Sete ho­mens e um des­tino” e “So­bre me­ni­nos e lo­bos”.

Claro que o filme, di­ri­gido por Ri­chard Bro­oks, não po­de­ria se apro­xi­mar da gran­di­o­si­dade do li­vro de Con­rad, mas mesmo as­sim vale a pena. Um mo­mento es­pe­cial: quando Burke diz que a di­fe­rença en­tre um he­rói e um co­varde não chega à es­pes­sura de uma fo­lha de pa­pel.

Os ou­tros dois fil­mes que vi fo­ram: “Caro Sr. Hor­ten” e “De­pois da vida”. O pri­meiro é do no­ru­e­guês Bent Ha­mer e conta os úl­ti­mos dias de tra­ba­lho de um con­du­tor de trem pela ge­lada no­ru­ega. Ele está pres­tes a se apo­sen­tar e a per­gunta é: o que esse su­jeito cir­cuns­pecto fará a par­tir de agora? 

O ou­tro filme, de 1998, é o ja­po­nês “De­pois da vida”, do re­no­mado di­re­tor Ki­ro­kazu Kore-eda. Num lu­gar en­tre a Terra e o des­co­nhe­cido, guias es­pi­ri­tu­ais tra­tam de des­co­brir das pes­soas que aca­ba­ram de mor­rer mo­men­tos que elas gos­ta­riam que fos­sem a prin­ci­pal re­cor­da­ção de sua vida. É com essa lem­brança que elas pas­sa­rão a eter­ni­dade.

O ba­cana do filme é a sim­pli­ci­dade do ro­teiro: o mo­mento es­co­lhido pe­los mor­tos é trans­for­mado em filme pela “equipe” de guias. O que eu po­de­ria di­zer? To­cante? Acho que sim.

Cu­ri­o­sa­mente, os três fil­mes mos­tram, sob ân­gu­los di­fe­ren­tes, a guerra que uma hora ou ou­tra pre­ci­sa­re­mos tra­var com nosso pas­sado. E essa guerra, parece-me, pode ser mais cruel e de­vas­ta­dora do que as guer­ras que tra­va­mos no pre­sente.

Abaixo, trai­ler de “De­pois da vida” (não achei le­gen­dado)

Abaixo, trai­ler de “Caro Sr. Hor­ten”

Compartilhe