Impressões

Poesia argentina

sábado, 12 de junho de 2010 Texto de

Veio de Ma­ra­dona e seus pu­pi­los um pouco de graça para os jo­gos da Copa da África. A Ar­gen­tina fez po­e­sia com a bola. Só sua de­fesa fra­qui­nha es­cor­re­gou na rima. Mas o resto do time com­pen­sou com be­los ver­sos que quase não são mais vis­tos nos gra­ma­dos. Será o iní­cio de um po­ema épico, tão ao fei­tio dos ar­gen­ti­nos?

Se os por­te­nhos ti­ves­sem ven­cido a Ni­gé­ria por 5 a 1 ou 6 a 2, nin­guém po­de­ria con­tes­tar. Se­ria um pla­car mais justo e, de que­bra, da­ria um novo sta­tus a essa Copa que co­me­çou so­no­lenta, quase pa­rando. Claro, quem aguen­ta­ria Dom Di­ego? Mas e daí? A graça do fu­te­bol está nas po­lê­mi­cas, nas go­za­ções, nas pro­vo­ca­ções, nas ri­va­li­da­des sa­dias.

Só que o pró­prio fu­te­bol é irô­nico: às ve­zes, até ele se es­quece da ale­gria do gol.

Mas é um bom cas­tigo para quem o pra­tica. Por­que to­dos pen­sam pri­meiro em não le­var gol. E é in­crí­vel como os atle­tas, mesmo gran­des atle­tas, pa­re­cem es­tar per­dendo a in­ti­mi­dade com o gol. Quem viu o jogo da In­gla­terra, por exem­plo, deve ter pen­sado desse modo. Como é que os ca­ras che­gam tan­tas ve­zes na área e, ao in­vés de chu­tar para o gol, he­si­tam, des­con­fiam de si pró­prios, pre­fe­rem jo­gar a res­pon­sa­bi­li­dade para o com­pa­nheiro: cru­zam, cru­zam e cru­zam?

Os in­gle­ses che­ga­ram com panca de fa­vo­ri­tos, mas saí­ram do pri­meiro jogo ca­bis­bai­xos. O jogo con­tra os EUA foi um fes­ti­val de in­com­pe­tên­cia, a co­me­çar pelo fran­gaço do go­lei­rão bri­tâ­nico. Como diz o Mil­ton Leite, do Sportv, “Meééu Deééus!”. 

Quanto aos ame­ri­ca­nos, nada de es­pe­cial. O fu­te­bol­zi­nho de­les é esse mesmo, sem­pre à es­pera de um erro do ad­ver­sá­rio. E Green foi nessa. 

Co­reia do Sul e Gré­cia tam­bém jo­ga­ram neste sá­bado. Aliás, só a Co­reia jo­gou. Por­tanto, jo­gui­nho de quinta. Não gosto do fu­te­bol asiá­tico. É uma cor­re­ria de­sen­fre­ada da qual em uma ou ou­tra oca­sião dei­xam a bola fa­zer parte. Não fa­zem po­e­sia, ape­nas um de­sa­fi­nado ka­ra­okê duro de as­sis­tir.

Compartilhe