Impressões

Linha

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 Texto de

Hoje, es­tou usando sa­pato, uma calça di­ga­mos meio so­cial e ca­misa de man­gas lon­gas. Ge­ral­mente, uso tê­nis (ou o tal do “sa­pa­tê­nis”), calça je­ans e ca­misa de manga longa. Hoje en­fiei a ca­misa por den­tro. Ge­ral­mente, uso por fora. Uma amiga me disse que hoje es­tou “chi­que”. E me per­gun­tou se agora vou se­guir “essa nova li­nha”. Ah! Ah! Ah! Ah! 

Ou­tro dia, vi parte da re­prise de uma en­tre­vista do fan­tás­tico Pau­li­nho da Vi­ola. Se não me en­gano, foi para o “Roda Viva” (TV Cul­tura). Ele conta que quando gra­vou “Si­nal fe­chado” (acho que em 1969), per­gun­ta­ram a ele se aquela se­ria sua “nova li­nha”. En­tão, sur­preso, res­ponde ele com ou­tra per­gunta: “mas que li­nha?”

“Si­nal fe­chado” é aquela com­po­si­ção linda (co­meça as­sim: “Olá, como vai? Eu vou indo e você, tudo bem?”) que o Pau­li­nho manda de um jeito di­fe­ren­tão, numa to­ada se­rena, quase in­ti­mista e que traz o diá­logo de dois ami­gos que se en­con­tram no si­nal ver­me­lho e tro­cam al­gu­mas pa­la­vras, evi­den­ci­ando certo dis­tan­ci­a­mento por causa da agi­ta­ção da vida ur­bana. Pro­fé­tico, não? De todo modo, per­gun­tou o Pau­li­nho: “mas que li­nha?”.

É cu­ri­osa essa “co­brança” em cer­tos ca­sos. O cara tem que se­guir de­ter­mi­nada li­nha. Que li­nha é essa que pre­ci­sa­mos se­guir, afi­nal? Ora essa, e se a li­nha do cara for a falta de li­nha? Ah! Ah! Ah! Ah! Não es­tou me re­fe­rindo ao de­sa­li­nho, mas ape­nas à ine­xis­tên­cia de uma li­nha a se­guir. Hoje, posso usar tê­nis, ama­nhã, sa­pato, e sá­bado, san­dá­lia.

Se­guir a mesma li­nha é muito chato! 

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