Era uma caixa d’água vi­rada para baixo, e lá de den­tro es­piá­va­mos o mundo por um fu­ri­nho quase de nada. As­sim nós sa­bía­mos de tudo. Por exem­plo, quando ma­ta­ram o galo Rico. Os adul­tos com­bi­na­ram o as­sas­si­nato no co­chi­cho. En­tão o Rico apa­re­ceu na mesa do jan­tar, e nós sa­bía­mos que era ele. Mas não dei­xa­mos so­brar nada no prato: mais nos im­por­tava man­ter o es­con­de­rijo, por­que a prima e eu des­con­fiá­va­mos, em si­lên­cio, que dali a pouco ele te­ria ou­tro fim.

E-mail: lbrasiliense@uol.com.br

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