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Para sempre amigos

terça-feira, 9 de setembro de 2008 Texto de

Na ja­nela am­pla da sala de aula via uma ár­vore seca; dan­çava e me con­vi­dava, eu não po­dia; ti­nha uma aula im­por­tante, mas con­ti­nu­ava observando-a. Es­crevi até um conto ins­pi­rado nela: 

…não quero sa­ber de sua ver­dade não ar­rote sua so­berba em cima de mim vou em­bora pego a es­trada não quero ou­vir vejo a mon­ta­nha ela me chama não agüento fi­car aqui me sinto en­clau­su­rado en­con­tre ou­tro aluno to­mei oje­riza do que quer me en­si­nar de­sejo sen­tir no­va­mente a água ge­lada da ca­cho­eira ob­ser­var a dança do vento com a ve­ge­ta­ção da flo­resta a mú­sica que em­bala é o ba­ru­lho da ca­cho­eira quero re­en­con­trar So­fia an­dar de bi­ci­cleta co­mer uma torta gos­tosa num café cale a boca não quero sa­ber de sua ver­dade seu na­riz em­pi­nado me ins­pira idéias as­sas­si­nas vou em­bora vejo a mon­ta­nha sem­pre tive cu­ri­o­si­dade de escalá-la será que en­con­tra­rei du­en­des e fa­das? Há uma lenda de que um po­eta apaixonou-se por uma fada e su­biu à mon­ta­nha nunca nin­guém mais o en­con­trou So­fia você é uma fada? vou em­bora cale a boca não quero sa­ber de sua ver­dade…

Às ve­zes, a voz do pro­fes­sor es­tava longe e pre­ci­sava en­fiar a ponta do lá­pis na palma da mão, para re­tor­nar à aula. O cam­pus era perto da Baía, se fosse limpa mer­gu­lha­ria em suas águas ne­gras e con­vi­da­ria a árvore-seca-dançarina a na­dar co­migo. Co­men­tei com uma co­lega, que se afas­tou de mim, disse a to­dos que sou louco. Meus pais me for­ça­ram a ir ao psi­có­logo. Fui, seu nome era Ma­ri­nilda Ma­ria, di­zia que já viu gno­mos e até fez pi­que­ni­que com eles; com­bi­na­mos lan­char no cam­pus.

Os gno­mos apa­re­ce­ram e ape­sar da mi­nha amiga ár­vore ser um pouco tí­mida, veio. Con­ver­sá­va­mos so­bre tudo. Ma­ri­nilda le­van­tou a blusa e re­ve­lou que de­se­java co­lo­car si­li­cone; to­dos nós con­cor­da­mos que não pre­ci­sava, seus seios eram lin­dos. Ela fi­cou fe­liz, mas re­a­fir­mou que iria ope­rar; mi­nha amiga con­fes­sou que que­ria bo­tar seios gran­des tam­bém e Ma­ri­nilda a apoiou; os gno­mos dis­se­ram que ia fi­car mais bela. Eu con­cor­dei meio em dú­vida, re­al­mente, uma ár­vore com seios fi­ca­ria muito es­tra­nho para mim.

Um dia, Ma­ri­nilda Ma­ria de­sa­pa­re­ceu. O mal­dito pai psi­qui­a­tra a in­ter­nou e a dei­xou boba, por causa dos cho­ques na ca­beça. Li­gou para os meus pais para fa­zer a mesma coisa co­migo. Fugi com a árvore-seca-dançarina e os gno­mos.

Vi­ra­mos mam­bem­bes e des­bra­va­re­mos to­dos os can­tos da Amé­rica la­tina.

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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