Bem-vin­do, 2008. Vo­cê po­de en­trar tam­bém, Car­na­val. Na­da con­tra. A úni­ca cha­te­a­ção é o mais do mes­mo. Ex­pli­co: Ive­te San­ga­lo é óti­ma can­to­ra. Aliás, gos­te ou não dos es­ti­los bai­a­nos, to­dos são brin­da­dos por bons in­tér­pre­tes – ex­ce­ção fei­ta a Car­li­nhos Brown, me­lhor com­po­si­tor do que ora­dor de can­ções.

Mas o fa­to é que, se­ja no fim de ano, se­ja ago­ra no Car­na­val, há uma over­do­se de... Ive­te!

Des­co­briu-se no Bra­sil que, se al­guém faz su­ces­so, é pre­ci­so ro­er até o os­so. E fi­ca­mos as­sim: Ive­te em to­do-e-qual­quer-lu­gar e aque­las can­to­ras ma­ra­vi­lho­sas nas ho­me­na­gens do Som Bra­sil da Glo­bo re­le­ga­das às ma­dru­ga­das pa­ra in­so­nes, após o Jor­nal da Glo­bo, em pro­gra­mas te­má­ti­cos.

Di­as atrás foi Dja­van – e ex­ce­len­tes vo­zes des­fi­la­ram em ho­rá­rio de bai­xís­si­ma au­di­ên­cia. Ex­ce­len­tes vo­zes que a mas­sa des­co­nhe­ce. Já a Ive­te é mes­mo por­re­ta: apre­sen­tou pro­gra­ma pró­prio na pró­pria Glo­bo – em ho­rá­rio bem me­lhor e aos do­min­gos! -, es­tá em co­mer­ci­ais de rá­dio, te­vê, jor­nal, re­vis­ta e al­to-fa­lan­te, freqüen­ta ou­tras atra­ções da te­li­nha... E ain­da os CDs, DVDs, CDs, DVDs, CDs, DVDs... CDs, DVDs...

Ive­te é óti­ma can­to­ra, gos­te ou não do gê­ne­ro que ela me­lhor per­so­ni­fi­ca. Mas ela, seus em­pre­sá­ri­os e os pro­du­to­res em ge­ral po­di­am ter bom sen­so de dar um tem­po, pô! A tam­bém bai­a­na Cláu­dia Lei­te vem aí em car­rei­ra-so­lo e, ape­sar de apa­re­cer bas­tan­te, tem mais “fô­le­go de ima­gem” pe­la fren­te do que a deu­sa Ive­te.

O gru­po R.E.M. aca­ba de lan­çar o seu pri­mei­ro (!) DVD em dé­ca­das de es­tra­da. Aqui no Bra­sil o ca­ra já ini­cia car­rei­ra com DVD pró­prio e mui­ta pu­bli­ci­da­de à dis­po­si­ção – vi­de as no­vas du­plas pseu­do-ser­ta­ne­jas. Coi­sa de país po­bre: se faz su­ces­so, tem que lam­bu­zar. Não bas­ta de­gus­tar, apre­ci­ar com mo­de­ra­ção.

Se a Ive­te dei­xar, es­ta­rá com 70 anos, de rou­pi­nha cur­ta, can­tan­do que “seu amor é ca­ni­bal” e ou­tras pé­ro­las do seu vas­to re­per­tó­rio po­pu­lar. No ou­tro ex­tre­mo es­tá Chi­co Bu­ar­que: ín­te­gro, re­clu­so até de­mais, con­ti­do... E uma ima­gem pre­ser­va­da, ina­ba­lá­vel ano a ano.

Um pou­co de dis­cri­ção mi­diá­ti­ca cai­ria bem à en­so­la­ra­da Ive­te. E mais chan­ce a obs­cu­ros ta­len­tos das ma­dru­ga­das não fa­ria mal a nin­guém.

E-mail: jfeza@bol.com.br

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