Es­tou certo que sim, como tam­bém es­tou certo de que o bra­si­leiro não é quem mais gosta de fu­te­bol no mundo. O que, con­seqüen­te­mente, des­qua­li­fica a afir­ma­ção “‘País do fu­te­bol”. Vou ser mais claro: em se tra­tando de con­sumo de in­for­ma­ções de fu­te­bol, to­ma­mos uma la­vada de paí­ses como Es­ta­dos Uni­dos e Tur­quia.

Fa­lando em mí­dia, te­mos ape­nas um jor­nal diá­rio de­di­cado ex­clu­si­va­mente ao fu­te­bol e ou­tros es­por­tes. Re­vista pe­rió­dica de fu­te­bol de cir­cu­la­ção na­ci­o­nal, duas (Pla­car e Tri­vela). Em paí­ses eu­ro­peus, os nú­me­ros são im­pres­si­o­nan­tes. O diá­rio Re­cord, em Por­tu­gal, acaba de lan­çar o guia da tem­po­rada 2007/08 com 340 pá­gi­nas por ape­nas 3 eu­ros. Espantei-me tam­bém quando vi uma pu­bli­ca­ção men­sal, in­glesa, de­di­cada ex­clu­si­va­mente ao fu­te­bol ita­li­ano!

Claro que não po­de­mos ig­no­rar o baixo po­der aqui­si­tivo do bra­si­leiro mé­dio, que não pode dei­xar na bi­lhe­te­ria do es­tá­dio 20 re­ais cada vez que seu clube joga. Ou, se mo­rar em ou­tra ci­dade, ter um pa­cote de TV paga com os jo­gos de seu time do co­ra­ção. A con­seqüên­cia disso: o bra­si­leiro é mal in­for­mado so­bre fu­te­bol. Pensa que sabe, mas não sabe. Quan­tos en­ten­dem de tá­tica? Quan­tos es­ca­la­riam, na ponta da lín­gua, a for­ma­ção ti­tu­lar da equipe pela qual torce? Quan­tos sa­bem enu­me­rar os prin­ci­pais tí­tu­los con­quis­ta­dos. A mi­no­ria, ga­ranto. Quando se fala de Se­le­ção Bra­si­leira, a coisa fica pior. Só vale Copa do Mundo. A mai­o­ria só ou­viu fa­lar do cen­tro­a­vante Fred quando ele mar­cou o se­gundo gol na vi­tó­ria so­bre a Aus­trá­lia.

O que falta para mu­dar essa re­a­li­dade? A res­posta tem que vir de cima. De clu­bes or­ga­ni­za­dos, que ge­rem cre­di­bi­li­dade para in­ves­ti­do­res. De uma Le­gis­la­ção Es­por­tiva mais ob­je­tiva – a atual, a Lei Pelé, li­ber­tou os jo­ga­do­res, mas não ga­ran­tiu nada aos clu­bes, que só fa­tu­ram em trans­fe­rên­cias abrindo mão de seus ta­len­tos pre­co­cen­te­mente (lá vai o Pato…). Só as­sim o fu­te­bol vira ne­gó­cio, coisa sé­ria, e não o ama­do­rismo. Pre­ci­sa­mos tro­car o car­tola pelo exe­cu­tivo, de­vi­da­mente re­mu­ne­rado e com me­tas a cum­prir.

Dia des­ses, no Meio & Men­sa­gem, li no­tí­cia de que o Bar­ce­lona, da Es­pa­nha, está com forte pla­ne­ja­mento de mar­ke­ting para fa­tu­rar no mer­cado bra­si­leiro – es­tou certo de que vai ga­nhar mais do que qual­quer um de nos­sos clu­bes, que não sa­bem ex­plo­rar suas mar­cas. Muito ga­roto de dez anos, hoje, torce para o Real Ma­drid, não para o Co­rinthi­ans…

A única jus­ti­fi­ca­tiva para a afir­ma­ção “País do fu­te­bol” que en­con­tro é na cer­teza de que, se o bra­si­leiro não é quem mais con­some fu­te­bol, pelo me­nos, é quem mais pra­tica. Bas­tam umas meias ve­lhas e al­guns me­tros qua­dra­dos, pi­sa­dos por pés des­cal­ços de me­ni­nos que, in­fe­liz­mente, não têm o mesmo es­tí­mulo para os ca­der­nos.

E-mail: fernando_bh@yahoo.com.br

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