Colaboradores

Escolhas

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 Texto de

Al­gu­mas mu­lhe­res se quei­xam das con­quis­tas fe­mi­nis­tas, ale­gando que es­tas só au­men­ta­ram o tra­ba­lho e as res­pon­sa­bi­li­da­des da mu­lher, prin­ci­pal­mente da ca­sada e com fi­lhos, que em tem­pos idos – ou nem tão idos as­sim – sem­pre con­tava com al­guém para pa­gar as con­tas da fa­mí­lia. Ou­tras acham que as con­quis­tas va­lem qual­quer tra­ba­lho a mais, bem me­lhor que a de­pen­dên­cia com a qual sol­tei­ras ou ca­sa­das ti­nham que con­vi­ver. Seja qual for a po­si­ção fe­mi­nina so­bre o as­sunto, quem con­ti­nua pas­sando ao largo da ques­tão são as agên­cias de pu­bli­ci­dade.

A ima­gem que ilus­tra um anún­cio atual de car­tão de cré­dito de um banco, es­pa­lhado em pon­tos de ôni­bus da ci­dade, é a de uma mu­lher jo­vem, car­re­gando três sa­co­las de shop­ping em cada mão, su­ge­rindo su­bli­mi­nar­mente o me­lhor des­tino para o di­nheiro de uma conta ban­cá­ria. Em época de Na­tal e Dia das Mães, as fi­gu­ras ma­ter­nas de qual­quer idade são sem­pre mos­tra­das sor­rindo ao lado de ele­tro­do­més­ti­cos, rou­pas e mó­veis. Nos anún­cios para pre­sen­tes, nunca se vê uma mãe sor­rindo sa­tis­feita ao lado de um com­pu­ta­dor, que pas­sou a fa­zer parte im­por­tante em sua vida, as­sim como li­qui­di­fi­ca­do­res e ge­la­dei­ras. Cada um na sua hora, com uti­li­da­des es­pe­cí­fi­cas, mas não ex­clu­den­tes.

A ques­tão aqui não é a ve­lha e ba­tida dis­cus­são so­bre a si­tu­a­ção ideal da mu­lher, se tra­ba­lhando den­tro ou fora de casa. Como toda luta co­ro­ada por con­quis­tas, há van­ta­gens e des­van­ta­gens nos re­sul­ta­dos, e esse tema não foge à re­gra. Mas há al­gu­mas dé­ca­das se abri­ram op­ções para quem quis se ar­ris­car a ser dona do pró­prio na­riz, es­co­lher es­tado ci­vil, ter fi­lhos ou não, mo­rar so­zi­nha ou acom­pa­nhada. As­sim tam­bém para con­fir­mar sua pre­fe­rên­cia por es­tar pes­so­al­mente à frente da or­ga­ni­za­ção pes­soal da casa e da fa­mí­lia, desde as com­pras de ali­men­tos até o trans­porte dos fi­lhos à es­cola, às fes­tas e ao den­tista. Desse qua­dro, de­sa­for­tu­na­da­mente não faz parte a mu­lher tra­ba­lha­dora de baixa renda, cuja única saída é sus­ten­tar so­zi­nha a fa­mí­lia em jor­na­das du­plas e tri­plas de tra­ba­lho.

Mas chama a aten­ção como certo seg­mento da pro­pa­ganda ainda finge não per­ce­ber que a mu­lher mo­derna não pre­cisa gas­tar seu sa­lá­rio ape­nas em aces­só­rios e ma­qui­a­gem, itens, aliás, sem­pre bem-vindos para ale­grar a vida. Que mu­lher não tem seu mo­mento de dona do mundo com aquele ba­tom des­lum­brante? Mas além de­les, a mu­lher de hoje tam­bém sente pra­zer em fi­nan­ciar sua pró­pria vi­a­gem, com­prar pe­ri­fé­ri­cos para seu com­pu­ta­dor, es­co­lher um carro pela se­gu­rança e de­sem­pe­nho, abrir seu pró­prio ne­gó­cio, co­nhe­cer e de­gus­tar vi­nhos para po­der es­co­lher o que mais lhe ape­tece e por aí vai. Por en­quanto, es­ses ainda são ni­chos mas­cu­li­nos, com ra­ras ex­ce­ções. Tal­vez por pouquís­simo tempo, pois no ni­cho cu­li­ná­rio e no dos cui­da­dos com os fi­lhos, an­tes pre­do­mi­nan­te­mente das mu­lhe­res, os ho­mens, fe­liz­mente, já es­tão en­trando sem ba­ter.

E-mail: anaflores.rj@terra.com.br

Compartilhe