Crônicas

A guerra dos mundos

sábado, 4 de agosto de 2007 Texto de

As­sim como em “A Guerra dos Mun­dos”, obra vi­si­o­ná­ria e es­pe­ta­cu­lar de HG Wells, pu­bli­cada em 1898 e que re­trata a pre­sença oculta de ali­e­ní­ge­nas san­gui­ná­rios na Terra, o in­te­rior de São Paulo ou, se qui­se­rem, o in­te­rior de todo o país vive um ins­tante de apre­en­são: eles es­tão en­tre nós sem que pos­sa­mos per­ce­ber. Eles, no caso, são os cri­mi­no­sos de grande porte (se é que posso chamá-los as­sim).

En­quanto le­va­mos nossa vida, cer­ca­dos pelo que res­tou da at­mos­fera tranqüila de ou­tros tem­pos, eles agem bem ao nosso lado. Aproveitam-se de nos­sas ilu­sões pa­ra­di­sía­cas que com­põem um mundo fic­tí­cio imune à cri­mi­na­li­dade tí­pica dos gran­des cen­tros. Pre­pa­ram seus ata­ques sem que suas ví­ti­mas pos­sam se de­fen­der.

De nosso lado, de­pen­de­mos de for­ças quase sem­pre alheias às nos­sas von­ta­des. Os go­ver­nos mostram-se, ao longo dos anos, in­ca­pa­zes de enfrentá-los. He­si­tam. Che­gam mesmo a subestimá-los. Prova disso é a pró­pria queixa dos po­li­ci­ais: o ad­ver­sá­rio tem sem­pre mu­ni­ção mais po­de­rosa.

“A Guerra dos Mun­dos”, uma obra clás­sica da fic­ção ci­en­tí­fica, acaba com os ini­mi­gos da hu­ma­ni­dade de­be­la­dos. O caso é que nesta ou­tra guerra, o fim pa­rece es­tar muito dis­tante. E o pior: nada ga­rante que pos­sa­mos ven­cer.

(Ar­tigo pu­bli­cado em 2006 no jor­nal BOM DIA) 

Compartilhe