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Epifania – Texto de Dudu Oliva

segunda-feira, 11 de junho de 2007 Texto de

Quando vi al­gu­mas cas­pas no meu ca­saco azul-marinho, ima­gens sur­gi­ram na mi­nha mente. Eu es­tava numa flo­resta ge­lada, junto com um grupo de pes­soas que fa­la­vam uma lín­gua es­tra­nha. Co­me­cei a sen­tir odo­res iné­di­tos e as co­mi­das que me ofe­re­ciam tam­bém ti­nham um gosto pe­cu­liar. To­dos es­ta­vam amon­to­a­dos pelo frio. Quem eram? Será que es­tas lem­bran­ças são ver­da­dei­ras ou ima­gi­na­das? Coço mais a ca­beça, as cas­pas pa­re­cem uma tem­pes­tade de neve. De re­pente, uma ne­vasca se aba­teu so­bre aquele povo. Ten­ta­vam se pro­te­ger, mui­tos mor­riam con­ge­la­dos. Uma mu­lher me pe­gou pelo braço, en­con­tra­mos uma ca­verna. Ha­via mais pes­soas. Com o tempo, a ca­verna vi­rou uma casa para to­dos nós e nos trans­for­ma­mos numa grande fa­mí­lia. Dan­çá­va­mos em volta da fo­gueira e ofe­re­cía­mos um cervo para uma en­ti­dade di­vina.

“Para de co­çar a ca­beça!! É feio”. Uma voz longe corta o es­tá­gio de transe em que es­tava.

Re­tor­nei. Sinto nos­tal­gia desse tempo re­moto ou in­ven­tado, mas pre­firo fi­car por aqui.

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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