A dor imortal - Texto de Leonardo Brasiliense | Márcio ABC

É noi­te cla­ra, de lua cheia. No cam­po, se ou­ve ape­nas o ba­ru­lho dos bi­chos, co­ru­jas, gri­los, a Ma­ria Cla­ra que, sen­ta­da na bei­ra do açu­de, can­ta ver­sos de amor. São ver­sos de um po­e­ta mor­to há mui­to, mui­to tem­po, es­cri­tos pa­ra sua pai­xão que fu­giu com ou­tro, mar afo­ra, sem nun­ca vol­tar. E ago­ra a me­ni­na Ma­ria Cla­ra, nes­ta noi­te cla­ra de lua cheia, can­ta e ba­te os pés na água, e a água le­va em­bo­ra seu re­fle­xo, su­as pa­la­vras e, a con­tra­ri­ar o que de­se­ja­va o po­e­ta, mais uma vez, aque­le amor.

E-mail: lbrasiliense@uol.com.br

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