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sexta-feira, 4 de maio de 2007 Texto de

Mi­lha­res de tu­ris­tas bra­si­lei­ros e es­tran­gei­ros che­gam to­do ano ao Rio pa­ra co­nhe­cer ou re­ver a ci­da­de. E fa­zem mui­to bem. To­dos os ha­bi­tan­tes des­te pla­ne­ta, pe­lo me­nos uma vez na vi­da, de­vi­am pas­sar uns di­as por aqui. E co­nhe­cer ao vi­vo co­mo es­ta ci­da­de me­re­ce ser vis­ta, sen­ti­da, apro­vei­ta­da e ad­mi­ra­da por qual­quer mor­tal que acre­di­te pi­a­men­te na im­per­ma­nên­cia de tu­do e que por is­so mes­mo sa­be que apro­vei­tar bem ca­da mo­men­to é pre­ci­so.

Vo­cê é um des­ses tu­ris­tas? En­tão te­nho al­gu­mas su­ges­tões pa­ra sua pas­sa­gem pe­lo Rio. Pe­gue sua com­pa­nhia e va­mos lá. O pas­seio po­de­ria co­me­çar com uma ida ao Pa­ço Im­pe­ri­al e vi­si­ta ao Mu­seu His­tó­ri­co Na­ci­o­nal, en­quan­to ou­vem um bom guia con­tar, en­tre ou­tras coi­sas, as his­tó­ri­as dos fan­tas­mas que ha­bi­ta­vam – ou ha­bi­tam, ain­da los hay - o pá­tio dos ca­nhões. Aliás, pe­çam a ele pa­ra mos­trar ou­tros lu­ga­res igual­men­te mal-as­som­bra­dos do Rio. São mui­tos.

De­pois des­sas vi­si­tas si­nis­tras, vo­cês vão que­rer ame­ni­zar a al­ma, e a pe­di­da é al­mo­çar em San­ta Te­re­sa. Pe­guem o bon­di­nho ama­re­lo, que ran­ge nos tri­lhos mas con­se­gue su­bir as la­dei­ras, e sal­tem no Lar­go dos Gui­ma­rães pa­ra pro­var os pe­tis­cos dos vá­ri­os res­tau­ran­tes da­li.

Vai ser di­fí­cil es­co­lher, mas va­le uni-du­ni-tê. Ou po­dem ir a to­dos, pro­van­do a en­tra­da em um de­les, a sa­la­da em ou­tro, e as­sim por di­an­te, até a so­bre­me­sa e o ca­fe­zi­nho. E ter­mi­nem o dia no agi­to, no bom sen­ti­do, da noi­te da La­pa, de­bai­xo dos Ar­cos, ou­vin­do e cur­tin­do o bom e ve­lho cho­ri­nho. É a ca­ra do Rio.

Se con­se­gui­rem acor­dar bem ce­di­nho, ca­mi­nhem cir­cu­lan­do a La­goa Ro­dri­go de Frei­tas – mas pe­la­mor­de­deus, sem ce­lu­lar nem re­ló­gio, não é ho­ra nem lu­gar pa­ra es­sas bo­ba­gens de tem­po e ne­gó­ci­os - acom­pa­nhan­do o sol nas­cer por trás das mon­ta­nhas.

De­pois, lam­bu­zem-se de pro­te­tor so­lar e sin­tam a ma­re­sia no ros­to e na al­ma ao lon­go da or­la ca­ri­o­ca. Mer­gu­lhem no mar, an­dem pe­la areia ou pe­lo cal­ça­dão das prai­as (eu ia di­zer “mais lin­das do mun­do”, mas os ou­tros bra­si­lei­ros vão me cha­mar de bair­ris­ta), to­mem mui­ta água de co­co e à tar­di­nha pro­vem a cai­pi­ri­nha – co­me­cem pe­la au­tên­ti­ca, s´il vous plait, com ca­cha­ça e li­mão.

De­pois, se qui­se­rem, vão ex­pe­ri­men­tan­do os ou­tros sa­bo­res, des­de que vo­cês es­te­jam pró­xi­mos ao seu ho­tel pa­ra não da­rem ve­xa­me ou com­pro­me­te­rem o res­to da pro­gra­ma­ção ca­ri­o­ca. E a qual­quer ho­ra, apro­vei­tem os su­cos que pro­li­fe­ram por aqui, dos sa­bo­res mais tra­di­ci­o­nais aos mais exó­ti­cos. Nin­guém vem aos tró­pi­cos im­pu­ne­men­te.

E sa­bem aque­le sol que vo­cês vi­ram nas­cer de ma­nhã? Pois olhem pra ele ago­ra, es­con­den­do-se de­va­gar­zi­nho por trás dos Dois Ir­mãos, em Ipa­ne­ma. Se qui­se­rem, aplau­dam com os ou­tros. Ou sim­ples­men­te dei­xem o quei­xo cair em paz e agra­de­çam por es­ta­rem vi­vos.

No ou­tro dia, lam­bu­zem-se de re­pe­len­te con­tra mos­qui­to e vão co­mer um pei­xe fres­qui­nho em Gua­ra­ti­ba, lo­go de­pois do Re­creio, além de pas­téis de ca­ma­rão (chei­os de ca­ma­rão, vê se po­de!), um cho­pe bem ge­la­do e mui­ta con­ver­sa fi­a­da.

Vol­tem por Gru­ma­ri e, ple­a­se, lo­go de­pois de pas­sar pe­la Prai­nha, lá no al­to da cur­va, an­tes de co­me­ça­rem a des­cer pe­la or­la, pren­dam a res­pi­ra­ção e pre­pa­rem-se pa­ra uma das mais des­lum­bran­tes pai­sa­gens oceâ­ni­cas que vo­cês já vi­ram. Pa­rem pa­ra ad­mi­rá-la com cal­ma e sin­tam co­mo a vi­da é be­la. E apro­vei­tem o mo­men­to pa­ra agra­de­ce­rem ao uni­ver­so por es­tar cons­pi­ran­do a seu fa­vor.

Em Vi­la Isa­bel, na Zo­na Nor­te, ti­rem uma fo­to ao la­do do No­el Ro­sa de bron­ze e do gar­çom que sem­pre lhe tra­zia uma boa mé­dia não re­quen­ta­da. De­gus­tem um bom ba­ca­lhau em São Cris­tó­vão e vi­si­tem a Fei­ra do Nor­des­ti­no ali per­to. Se der, as­sis­tam a um clás­si­co do fu­te­bol ca­ri­o­ca no Ma­ra­ca­nã e na vol­ta pa­ra o ho­tel ex­pe­ri­men­tem o me­trô do Rio. É lim­po e fun­ci­o­na.

Co­mo? Ba­la per­di­da, cri­an­ças mo­ran­do nas ru­as, tu­ris­mo se­xu­al, po­lui­ção nas la­go­as e na Baía de Gua­na­ba­ra, as­sal­tos e vi­o­lên­cia em to­da par­te? Qua­lé, mer­mão! Is­so é coi­sa do pas­sa­do. É que há al­gu­mas dé­ca­das – mais pre­ci­sa­men­te de­pois de ou­tu­bro de 2006 - os ca­ri­o­cas es­tão mais cons­ci­en­tes e atu­an­tes e co­bram de go­ver­na­do­res e pre­fei­tos pri­o­ri­da­de em edu­ca­ção, se­gu­ran­ça e meio am­bi­en­te. Pra­ti­ca­men­te não dão mais sos­se­go aos ad­mi­nis­tra­do­res. Ago­ra o Rio é ou­tro, pa­ra os ca­ri­o­cas e pa­ra os tu­ris­tas. Po­dem vir em paz. E vol­tem sem­pre!

E-mail: anaflores.rj@terra.com.br

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