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Por isso eles existem

sábado, 7 de abril de 2007 Texto de

Não, não me re­firo a lo­bi­so­mens, mulas-sem-cabeça e se­me­lhan­tes. Nunca os vi pes­so­al­mente, mas pelo sim, pelo não, digo que los hay. Refiro-me a uma praga con­creta e pal­pá­vel, em­bora sua es­pe­ci­a­li­dade seja esconder-se atrás de ár­vo­res, por­tões e em cima de te­lha­dos, na caça im­pla­cá­vel do fla­grante de ce­le­bri­da­des. A praga da era da co­mu­ni­ca­ção ins­tan­tâ­nea e de tudo-pelo-lucro e que se chama pa­pa­razzo.

Uau! A prin­cesa tem ce­lu­lite! Olha só, a atriz não usa cal­ci­nha! Fu­lano e Bel­trana re­a­ta­ram! Fu­lano e Bel­trana ter­mi­na­ram o ro­mance! Ve­jam quem está com quem! Olha a bar­riga do mi­nis­tro, saindo da aca­de­mia! A Fu­lana está saindo com o Ci­clano, ex da Bel­trana, que por sua vez aca­bou o noi­vado com o ex da Fu­lana. Adi­vi­nhe quem é o ca­sal tran­sando na praia? 

A ce­le­bri­dade, vo­lun­tá­ria ou in­vo­lun­ta­ri­a­mente, ali­menta os pa­pa­razzi, que ali­men­tam a mí­dia es­pe­ci­a­li­zada, que ali­menta o pú­blico lei­tor e voyeur, se­dento de no­vi­da­des de vi­das alheias, já que nas suas não deve acon­te­cer nada de in­te­res­sante.

As fo­tos na­ve­gam pela in­ter­net, de en­de­reço em en­de­reço, em si­tes de ví­deo, cada um que re­cebe passa adi­ante para sua lista de ami­gos e tudo é uma festa só. Uma festa efê­mera, é ver­dade, pois dois dias às ve­zes são su­fi­ci­en­tes para es­go­tar a no­vi­dade, já que ou­tra está saindo quen­ti­nha para ocu­par olhos e men­tes va­zios. Com tanto in­te­resse de­mons­trado por seu tra­ba­lhi­nho sujo, o pa­pa­razzo acirra a busca do fla­grante, da in­ti­mi­dade alheia ou da aber­ra­ção, ven­dá­veis a bom preço no mer­cado es­pe­ci­a­li­zado.

Há ce­le­bri­da­des e ce­le­bri­da­des. Al­gu­mas sa­bem per­fei­ta­mente se pre­ser­var, mas mesmo as­sim são per­se­gui­das, às ve­zes im­pla­ca­vel­mente. “Eu só es­tou fa­zendo o meu tra­ba­lho” – justifica-se um de­les. Se essa es­pé­cie de tra­ba­lho con­ti­nua a exis­tir é por­que o tipo de lei­tor e sua cu­ri­o­si­dade es­pe­cí­fica o ali­men­tam e o es­ti­mu­lam a con­ti­nuar. Aca­bando a de­manda, acaba a oferta. Ou al­guém ima­gina o re­pre­sen­tante da Mai­son Cha­nel no Bra­sil inau­gu­rando uma loja no ser­tão do Pi­auí, ou o trá­fico de ar­mas ten­tando ex­pan­dir seus ne­gó­cios en­tre mon­ges bu­dis­tas? Ele­men­tar, meu caro lei­tor.

E-mail: anaflores.rj@terra.com.br

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