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Bully – Texto de Dudu Oliva

quinta-feira, 24 de novembro de 2005 Texto de

Há desde os “tempo das ca­ver­nas”. É uma ma­ni­fes­ta­ção de po­der, que tenta en­qua­drar os in­di­ví­duos à ide­o­lo­gia do­mi­nante de cada época da so­ci­e­dade hu­mana. Quem for di­fe­rente so­fre re­pe­ti­das hu­mi­lha­ções no seu co­ti­di­ano. ” Isto é uma mul­ti­dão; é pre­ciso força de co­to­ve­los para rom­per. Não sou cri­ança, nem idi­ota; vivo e só vejo de longe. Não pode ima­gi­nar. Os gê­nios fa­zem aqui dois se­xos, como se fosse es­cola mista. Os ra­pa­zes tí­mi­dos, in­gê­nuos, sem san­gue, são do­mi­na­dos, fes­te­ja­dos, per­ver­ti­dos como me­ni­nas
ao de­sam­paro.” O tre­cho acima, do li­vro O ATENEU, es­crito por Raul Pom­péia no fi­nal do sé­culo 19, ilus­tra como a ti­ra­nia se ini­cia no am­bi­ente es­co­lar. A ins­ti­tui­ção é uma amos­tra da so­ci­e­dade hos­til, onde vi­ve­mos . É no co­lé­gio que apren­de­mos o egoísmo, a hi­po­cri­sia , a am­bi­ção des­me­dida e a vi­o­lên­cia. No am­bi­ente fa­mi­liar e na rua, encontra-se tam­bém o bully. Pais, tios, ir­mãos, co­le­gas e vi­zi­nhos co­me­tem essa prá­tica dia a dia. Não deixa de ser uma he­rança cul­tu­ral. Até há pouco tempo, não con­cor­dava que pes­soas com pro­ble­mas men­tais es­tu­das­sem em es­co­las co­muns. Con­tudo, per­cebi que es­tava er­rado. A es­cola que freqüen­tei é ex­clu­dente; trans­forma o aluno num sim­ples nú­mero para a es­ta­tís­tica do de­sem­pe­nho do ves­ti­bu­lar e para au­men­tar o seu pres­tí­gio. Es­ti­mula ex­pli­ci­ta­mente e im­pli­ci­ta­mente a in­to­le­rân­cia. A es­cola deve for­mar ci­da­dãos hu­ma­nis­tas, que vi­sem cons­truir um mundo me­lhor.

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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