Colaboradores

Ser escritor - Texto de Dudu Oliva

terça-feira, 18 de outubro de 2005 Texto de

Quan­do pen­so na pa­la­vra es­cri­tor, lem­bro-me da au­la do pri­mei­ro pe­río­do da fa­cul­da­de, em que o pro­fes­sor ex­pli­cou a di­fe­ren­ça en­tre po­lí­ti­ca e ci­ên­cia po­lí­ti­ca. A pri­mei­ra é a ação, a pai­xão e a in­tui­ção; a se­gun­da ana­li­sa a es­tru­tu­ra das re­la­ções po­lí­ti­cas, so­ci­ais e econô­mi­cas. De­pois, ele ar­gu­men­tou que pa­ra ser po­lí­ti­co po­de ser qual­quer um: mé­di­co, ad­vo­ga­do, pro­fes­sor... No ca­so do es­cri­tor tam­bém há uma di­ver­si­da­de. En­con­tra­mos jor­na­lis­tas, psi­qui­a­tras, so­ció­lo­gos, en­ge­nhei­ros, de­sem­bar­ga­do­res, en­tre ou­tros... Pa­ra exer­cer es­sa fun­ção, é pre­ci­so ser in­tui­ti­vo e en­trar na ação. Re­cor­do-me dos sam­bis­tas e dos re­pen­tis­tas que, com a sen­si­bi­li­da­de e o sa­ber da cul­tu­ra po­pu­lar, fa­zem can­ções ca­ti­van­tes e até crí­ti­cas so­ci­ais. Ló­gi­co que não se de­ve des­pre­zar a lei­tu­ra; aju­da o de­sen­vol­vi­men­to das idéia. Mas se o in­di­ví­duo não ti­ver o dom, não se­rá um con­tis­ta, ro­man­cis­ta e cro­nis­ta. Se­gui­rá o ca­mi­nho de en­saís­ta, pes­qui­sa­dor ou gra­má­ti­co. Te­nho uma co­le­ga, por exem­plo, que es­cre­ve mui­to bem ar­ti­gos e re­se­nhas. Sua mo­no­gra­fia fi­nal de cur­so de gra­du­a­ção foi con­si­de­ra­da me­lhor ou igual a uma te­se de dou­to­ra­do. Nun­ca quis es­cre­ver fic­ção. Con­tu­do, há pes­so­as que exer­cem as du­as fun­ções: a de es­cri­to­res e a de es­tu­di­o­sos, pos­suin­do múl­ti­plas ha­bi­li­da­des... De­pen­de mui­to da ap­ti­dão de ca­da pes­soa.

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

Compartilhe