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Egalitê e libertê - Texto de Otávio Nunes

quinta-feira, 28 de julho de 2005 Texto de

O ve­lho Marquês de Ca­vang­nour chou­te­a­va em seu ca­va­lo pe­las pla­ní­ci­es ver­do­len­gas de sua pro­pri­e­da­de em Cha­te­au Bril­lant, a pou­cos quilô­me­tros de Pa­ris, na­que­le lus­co-fus­co ves­per­ti­no de 13 de ju­lho de 1789. De re­pen­te, um ho­mem atrás de uma ár­vo­re gri­tou:

- Mor­te à no­bre­za e li­ber­da­de ao po­vo.

Ca­vang­nour as­sus­tou-se e qua­se per­deu o equi­lí­brio. Só não caiu por­que o ca­va­lo, com­pa­nhei­ro fi­el e im­pas­sí­vel às agi­ta­ções, con­ti­nu­ou seu tro­tar se­re­no.

Quan­do che­gou em ca­sa, o marquês per­gun­tou a seu ca­pa­taz quem po­de­ria ser aque­le agi­ta­dor. So­men­te à noi­te, o em­pre­ga­do des­co­briu que o gri­ta­dor era seu pró­prio fi­lho.

- Por que vo­cê fez is­to, Do­mi­ni­que? Po­de­mos ser pre­sos e en­vi­a­dos à Bas­ti­lha.
O que se­rá de sua mãe e seus ir­mãos sem nós?

- Ho­je, não. Mas ama­nhã o se­nhor po­de­rá di­zer que fui eu, meu pai.

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