O ve­lho Marquês de Ca­vang­nour chou­te­ava em seu ca­valo pe­las pla­ní­cies ver­do­len­gas de sua pro­pri­e­dade em Cha­teau Bril­lant, a pou­cos quilô­me­tros de Pa­ris, na­quele lusco-fusco ves­per­tino de 13 de ju­lho de 1789. De re­pente, um ho­mem atrás de uma ár­vore gri­tou:

– Morte à no­breza e li­ber­dade ao povo.

Ca­vang­nour assustou-se e quase per­deu o equi­lí­brio. Só não caiu por­que o ca­valo, com­pa­nheiro fiel e im­pas­sí­vel às agi­ta­ções, con­ti­nuou seu tro­tar se­reno.

Quando che­gou em casa, o marquês per­gun­tou a seu ca­pa­taz quem po­de­ria ser aquele agi­ta­dor. So­mente à noite, o em­pre­gado des­co­briu que o gri­ta­dor era seu pró­prio fi­lho.

– Por que você fez isto, Do­mi­ni­que? Po­de­mos ser pre­sos e en­vi­a­dos à Bas­ti­lha.
O que será de sua mãe e seus ir­mãos sem nós?

– Hoje, não. Mas ama­nhã o se­nhor po­derá di­zer que fui eu, meu pai.

Compartilhe