Colaboradores

Reformas e reformas

quarta-feira, 27 de julho de 2005 Texto de

Bair­ros e ruas de no­mes como Fonte da Sau­dade, dos Oi­tis, das Acá­cias ou Tra­vessa dos Po­e­tas de Cal­çada, como exis­tem no Rio, são um pre­sente a seus mo­ra­do­res. Em qual­quer ci­dade, deve fa­zer um bem da­nado à alma mo­rar ou sim­ples­mente con­vi­ver com lu­ga­res de no­mes tão ins­pi­ra­dos. Ti­rante es­ses, muito ra­ros, vi­ve­mos em meio a cen­te­nas de ruas com no­mes de ge­ne­rais, de­sem­bar­ga­do­res, pro­fes­so­res e dou­to­res so­bre os quais te­mos pouca ou ne­nhuma in­for­ma­ção. Meu pai achava que em to­das as pla­cas com no­mes de pes­soas de­ve­ria ha­ver da­dos con­ci­sos so­bre, no mí­nimo, a im­por­tân­cia de­las para a nossa his­tó­ria e em que época vi­ve­ram. Tipo “Rua Dr. Bel­trano – Des­co­bri­dor da va­cina tal – 1899-1968”. Uma pe­quena re­forma que po­de­ria ser le­vada em conta, mas meu pai mor­reu com 89 anos sem ver isso acon­te­cer. Se é para con­vi­ver com no­mes de ilus­tres des­co­nhe­ci­dos, me­lhor e mais prá­tico nu­me­rar as ruas, como em NY, com me­nos chan­ces de nos per­der­mos pela ci­dade. Nós e os tu­ris­tas.

Não é o caso de re­for­mar por re­for­mar. Es­tas, quando ocor­rem, se pa­re­cem com a re­la­ti­va­mente re­cente na área de Edu­ca­ção, quando se tro­ca­ram as de­no­mi­na­ções de 1o, 2o e 3o Graus, tão prá­ti­cas, para En­si­nos Fun­da­men­tal, Mé­dio e Su­pe­rior. Bem mais im­po­nen­tes, sem dú­vida. Quem sabe se com es­sas no­vas de­sig­na­ções, o en­sino bra­si­leiro des­lan­cha e fica sé­rio de uma vez por to­das? Mas me­xer no cur­rí­culo dos cur­sos, reformá-los de acordo com as no­vas ne­ces­si­da­des e com o novo per­fil das cri­an­ças e ado­les­cen­tes bra­si­lei­ros, isso nem pen­sar. Aí já se­ria pe­dir de­mais.

Re­forma ver­da­deira, seja qual for, sem­pre tem um preço. Em ge­ral se abre mão de uma si­tu­a­ção inú­til mas con­for­tá­vel, fa­mi­liar e sem mis­té­rio. Mu­dar pa­râ­me­tros e pa­ra­dig­mas ou ape­nas o ân­gulo de onde se vê uma si­tu­a­ção é, mui­tas ve­zes, ar­ris­cado e do­lo­roso, mas quase sem­pre útil e gra­ti­fi­cante para quem ex­pe­ri­menta a mu­dança. Por exem­plo, apren­der de uma vez por to­das (será?) a pe­sar mais as pa­la­vras an­tes de ou em vez de ex­plo­dir im­pul­si­va­mente, re­cla­mar me­nos e agir mais, não achar que re­la­ção afe­tiva é sinô­nimo de posse e con­trole to­tal e ou­tras igual­mente di­fí­ceis de se re­a­li­za­rem. Re­for­mas apa­ren­te­mente pe­que­nas, mas im­por­tan­tes pe­las mu­dan­ças que pro­vo­cam no dia-a-dia de nos­sas vi­das.

No fim do tú­nel da re­forma, lá está um ce­ná­rio di­fe­rente, com uma luz nova, per­fu­mes até en­tão des­co­nhe­ci­dos e uma sen­sa­ção de triunfo, pes­soal e in­trans­fe­rí­vel, por se ter con­se­guido su­pe­rar este ou aquele obs­tá­culo, an­tes con­si­de­rado de-fi-ni-ti-va-men-te in­trans­po­ní­vel. Sor­ria, você pas­sou para o ou­tro lado do tú­nel!

Compartilhe