Fran­ca­mente, não es­tava nos meus pla­nos es­cre­ver so­bre as atu­ais des­gra­ças po­lí­ti­cas do país. Mas, con­fesso, é di­fí­cil para qual­quer ci­da­dão, jor­na­lista ou não, isentar-se de opi­nião so­bre o as­sunto. A mi­nha – o lei­tor que não se de­ses­pere – é curta e grossa. E é esta: não é por­que de um dia para o ou­tro o santo vi­rou di­abo, que to­dos os di­a­bos se trans­for­ma­ram em san­tos.

O fato é que tem muito po­lí­tico por aí po­sando de bom moço, como se seus par­ti­dos, di­fe­ren­te­mente do PT, fos­sem gran­des exem­plos de com­por­ta­mento ético e mo­ral. De­va­gar com o an­dor, por­que mui­tos san­tos de barro já se es­pa­ti­fa­ram pelo ca­mi­nho.

Não, tam­bém não devo omi­tir qual­quer tipo de crí­tica ao PT. Para mim, ao con­trá­rio do que muita gente pensa, nin­guém está (e nem es­teve) acima do bem e do mal. Mas, de todo modo, o que choca mais nessa his­tó­ria toda, prin­ci­pal­mente de­pois da ad­mis­são (em­bora con­tes­tada) do cha­mado caixa dois, é que o palco das ma­ra­cu­taias é exa­ta­mente o PT, que sem­pre foi res­pei­tado, in­clu­sive por ad­ver­sá­rios, por re­pre­sen­tar uma es­pé­cie de van­guarda ética da po­lí­tica na­ci­o­nal.

Só que, de re­pente, par­ti­dá­rios e ad­ver­sá­rios ou­vem uma his­tó­ria muito di­fe­rente da ima­gem que se criou desde a fun­da­ção do Par­tido dos Tra­ba­lha­do­res, em 1980, e des­co­brem que tal­vez a pre­ga­ção da ética po­lí­tica, ao me­nos para al­guns se­to­res do pe­tismo, não pas­sava de uma grande farsa. Dessa ma­neira, sentem-se traí­dos por te­rem acre­di­tado num mito que agora des­mo­rona.

En­fim, esse mito, cri­ado e sus­ten­tado du­rante as dé­ca­das de co­ra­josa e in­ter­mi­tente opo­si­ção, pa­rece ser o prin­ci­pal in­gre­di­ente para ta­ma­nha frus­tra­ção que se ob­serva en­tre a opi­nião pú­blica. Não é di­fí­cil acre­di­tar que se fosse ou­tro o par­tido no cen­tro de tan­tas de­nún­cias, o fato se­ria en­ca­rado com certa na­tu­ra­li­dade – o que, sem dú­vida, se­ria pés­simo para a pró­pria de­mo­cra­cia.

Que deve ha­ver pu­ni­ções e blá-blá-blá, nem é pre­ciso di­zer, está certo? Digo ape­nas o se­guinte: o PT en­frenta algo se­me­lhante ao drama que vive o ma­rido ou a mu­lher traída. Até que ela não des­cu­bra, a vida trans­corre nor­mal­mente. Não se­ja­mos hi­pó­cri­tas: a trai­ção sem­pre exis­tiu. O azar do PT foi que a mu­lher des­co­briu.

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