Crônicas

O coqueiro

sexta-feira, 20 de maio de 2005 Texto de

O co­quei­ro es­tá lá, em­bai­xo da ja­ne­la, e me faz lem­brar da­que­le pré­dio cons­truí­do nu­ma es­qui­na por on­de eu pas­sa­va a to­da ho­ra. Um dia, to­pei com a obra pron­ta: - mas o que há? Quem bo­tou is­so aí?

Pois com o co­quei­ro foi do mes­mo jei­to. Da ja­ne­la da co­zi­nha, no quin­to an­dar, es­pi­ei lá em­bai­xo e o fla­grei, na mar­gem da ma­ti­nha, se­gu­ran­do um ca­cho de co­cos ver­de­lões, re­don­di­nhos.

Sem fa­zer alar­de, fi­ca por ali, co­mo se vi­gi­as­se sua pe­que­na flo­res­ta se­mi-de­vas­ta­da. Já por du­as ou três ve­zes me pe­guei la­men­tan­do o dia que, tris­te, há de che­gar, pa­ra que o cor­tem sem pi­e­da­de, as­sim co­mo fa­zem com tan­tos ou­tros.

Mas o cu­ri­o­so des­ta his­to­ri­nha é que um dia des­tes, ocu­pan­do-me de ob­ser­vá-lo, ti­ve num lap­so in­sa­no a im­pres­são gra­tui­ta de tê-lo vis­to fi­tar-me com ar de co­mi­se­ra­ção. De su­as fo­lhas cris­pa­das pe­lo ven­to da ma­nhã, va­rou-me o sen­ti­men­to, qua­se mes­mo uma cer­te­za, de que ele pen­sa o mes­mo de mim.

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