Crônicas

Apelo(ação)

sexta-feira, 12 de novembro de 2004 Texto de

Há vo­zes que me di­zem pa­ra se­guir es­sa es­tra­da. São tan­tas (vo­zes) que nem sei: um cla­mor. Eu as ou­ço. Não é pos­sí­vel ig­no­rá-las, pois sur­gem aos meus ou­vi­dos sem que eu as es­pe­re. São ca­pa­zes de in­ven­tar e rein­ven­tar mo­dos pa­ra con­ven­cer-me sob seus man­da­men­tos.

- Vá por aqui, vi­re ali, con­te quin­ze pas­sos.

Elas di­zem-me as­sim. As­sim mes­mo. Eu as ou­ço. Pos­so ne­gar que às ve­zes ten­ta-me a cu­ri­o­si­da­de? Não, não pos­so. São mui­to for­tes es­sas vo­zes. Elas não vêm sós. Há, par­cei­ras, mui­tas ou­tras. To­das me di­zem pa­ra se­guir es­sa es­tra­da.

- Vá por aqui, vi­re ali, con­te quin­ze pas­sos.

São per­sis­ten­tes es­sas vo­zes. E in­tran­si­gen­tes, em­bo­ra ma­ci­as e ma­nho­sas. Vai ver, são tam­bém con­vin­cen­tes. Vai ver, ar­ras­tam ou­vin­tes. For­mam le­giões. For­ta­le­cem seu tim­bre. En­tão, ain­da mais for­tes, cha­mam ou­tra vez, cha­mam e cha­mam.

Mas, olha: eu não vou, não. Co­mi­go não, vi­o­lão.

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