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Ética no jornalismo

sábado, 2 de outubro de 2004 Texto de

Por Edi­son Veiga Ju­nior

Ética na veia ve­lha do jor­na­lismo = Es­té­tica na nova nave do jor­na­li­rismo

(in­qui­e­ta­ções es­tu­dan­tis)

Nes­tes cruéis po­rém cru­ci­ais tem­pos de pós-pós-modernidade, ou seja lá que nome se dão aos bois, aos dois, aos pois e aos pós, mui­tos são os que ad­vo­gam pelo fim da ética. Aque­les que pri­vi­le­giam a es­té­tica ainda po­dem ter um tanto de ra­zão (nunca nos es­que­cendo que toda es­tÉ­TICA con­tém a ética den­tro de si); en­tre­tanto, os que ar­gu­men­tam que, se não existe ver­dade uni­ver­sal, tudo é pos­sí­vel, po­dem es­tar pres­tes a cair em gros­seiro erro.

Não existe ver­dade única e ir­re­fu­tá­vel, isto é certo e fi­lo­so­fi­ca­mente re­co­nhe­cido. Con­tudo, a ver­dade como ideal é algo a ser bus­cado (nunca atin­gido, mas sem­pre bus­cado). Ade­mais, ao me­nos vir­tu­al­mente, existe ob­je­ti­vi­dade. Existe uma luta pela im­par­ci­a­li­dade. Existe, por­tanto, ética.

Já faz al­gum tempo que os Prin­cí­pios In­ter­na­ci­o­nais da Ética no Jor­na­lismo fo­ram for­mu­la­dos e di­vul­ga­dos (mais pre­ci­sa­mente, na quarta reu­nião con­sul­tiva de or­ga­ni­za­ções na­ci­o­nais e re­gi­o­nais de jor­na­lis­tas, Praga e Pa­ris em 1983). Seus pre­cei­tos, à pri­meira vista, pa­re­cem ób­vios. Mas con­têm, em es­sên­cia, uma pre­o­cu­pa­ção que sem­pre deve ser re­cor­rente na mente do jor­na­lista: sou um ma­ni­pu­la­dor de in­for­ma­ções e co­ti­di­a­na­mente mexo com a opi­nião das pes­soas.

Ei, você pres­tou aten­ção nisso? Re­leia a frase acima e veja o ta­ma­nho da nossa res­pon­sa­bi­li­dade en­quanto jor­na­lis­tas… É, nosso ganha-pão não pa­rece ter muito de in­gê­nuo não.

Mas en­tão por que será que a fa­cul­dade só nos ofe­rece Ética no úl­timo ano do curso? Por que será que to­das as ou­tras dis­ci­pli­nas teó­ri­cas fi­cam ba­tendo na mesma te­cla du­rante todo o curso e ne­nhuma de­las se pro­põe a re­al­mente mer­gu­lhar pro­fun­da­mente no tema? Co­var­dia, tal­vez?

Te­mos um mer­cado de tra­ba­lho ne­fasto nos es­pe­rando do lado de fora, só que ne­nhum de nós pre­tende fi­car fora dele, certo? Mesmo que al­guns fi­quem o curso todo com dis­cur­si­nhos pseudo-revolucionários. Quando a fa­cul­dade aca­bar, o medo do de­sem­prego pro­mete fa­lar mais alto. E en­tão? Que pos­tura de­ve­mos ado­tar?

Este texto não fe­chará as idéias apre­sen­ta­das, ao me­nos por hoje. Ele é um texto de in­qui­e­ta­ções. Es­crito por al­guém que acre­dita na ética como prin­cí­pio ré­gio de to­das as ati­tu­des. Es­crito por al­guém que tem uma cons­ci­ên­cia e pre­tende sem­pre dor­mir em paz com ela. Es­crito por al­guém, en­tre­tanto, que, como quase to­dos os ou­tros que hoje se sen­tam em ban­cos aca­dê­mi­cos de cur­sos de jor­na­lismo, não en­xerga fá­cil uma saída para a boa prá­xis jor­na­lís­tica – te­nho medo de que essa luz que pa­reço ver no fim do tú­nel seja o trem vindo ao meu en­con­tro.

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Mas a ética não foi cri­ada pelo jor­na­lismo
[Do lat. ethica gr. ethiké.] S. f. Fi­los. 1. Es­tudo dos juí­zos de apre­ci­a­ção re­fe­ren­tes à con­duta hu­mana sus­ce­tí­vel de qua­li­fi­ca­ção do ponto de vista do bem e do mal, seja re­la­ti­va­mente a de­ter­mi­nada so­ci­e­dade, seja de modo ab­so­luto. E nem deve ser pri­vi­lé­gio dos jor­na­lis­tas, es­tes que acre­di­tam tanto se­rem deu­ses. Ética na veia ve­lha do jor­na­lismo, con­cordo. Mas é a mesma ética que vem do ci­da­dão. Como jor­na­lista ape­nas exer­ce­rei na mi­nha pro­fis­são os prin­cí­pios de con­duta que já car­rego como ci­da­dão. Por isso os tais Prin­cí­pios In­ter­na­ci­o­nais da Ética no Jor­na­lismo pa­re­cem ób­vios. En­tão qual o di­fe­ren­cial? Não sei por­que ainda es­tou bus­cando. Mas acho que, no fundo, tem a ver com a ou­tra fa­ceta desta mesma mo­eda en­fer­ru­jada: a es­té­tica na nova nave do jor­na­li­rismo. Sim, afi­nal, o sor­tudo do ci­da­dão que não abra­çou o jor­na­lismo como pro­fis­são, além de ter a pos­si­bi­li­dade de ga­nhar bem mais, ser mais fe­liz, go­zar do des­canso nos fe­ri­a­dos e dias san­tos, le­var uma vida nor­mal e sem per­tur­ba­ções psi­co­ló­gi­cas, não tem ne­nhum com­pro­misso com a lin­gua­gem. Já o jor­na­lista ideal, JORNALISTA mesmo, com caixa-alta e tudo, pra mim tem de ser um jor­na­li­rista: sua ética cabe em sua es­té­tica e sua es­té­tica está com­pro­me­tida com a cons­tru­ção diu­turna de um de­vir aqui cha­mado de nova nave do jor­na­li­rismo. Quando digo nave, quero re­me­ter a tem­plo. Um jor­na­lismo apai­xo­nado e apai­xo­nante tem esse quê de re­li­gião: se­du­tor, inex­pli­cá­vel, ar­re­ba­ta­dor, ir­ra­ci­o­nal posto que chama. A nova nave do jor­na­li­rismo se­ria o re­no­var eterno do con­junto de es­tru­tu­ras e re­gras que nor­teiam o jor­na­lismo. Desde o lide até a ti­po­gra­fia. Desde a linha-fina até o box. O que es­ta­mos es­pe­rando para ex­pe­ri­men­tar? Edi­son Veiga Ju­nior, es­tu­dante de jor­na­lismo (na época)

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