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Poema: O destino de cada um

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013 Texto de

Não és o rio, Márcio!
Mas ape­nas o barco.
Olha que às ve­zes te dei­xas le­var
e em ou­tras te con­du­zem.
E tam­bém há teus pró­prios re­mos.
Mas eis a ver­dade: não és o rio.

Po­rém, conforta-te, aqui tens mo­ti­vos:
como pelo rio, pas­sam por ti as pes­soas;
tu mesmo tam­bém, como o rio, pas­sas por elas;
como para o rio, miram-te olha­res per­di­dos;
A tu mesmo, como ao rio, dis­pen­sam afa­gos;
sim, ânimo, ma­ri­nheiro fu­gaz!

O rio, para sem­pre, as­sim mesmo: para sem­pre,
e tu, por ora, nada mais: por ora,
o rio e tu, tu e o rio, jun­tos os dois,
conforta-te, por­que ides sim,
de­pois de mui­tos lei­tos ou pou­cos lei­tos,
jun­tos os dois, ides sim: para o mar.

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