Impressões

O afago, a cortada e certos jornalistas

terça-feira, 21 de junho de 2011 Texto de

Às ve­zes é cu­ri­osa a aten­ção que, por ser­mos da im­prensa, re­ce­be­mos de pes­soas com as quais con­vi­ve­mos cir­cuns­tan­ci­al­mente. Às ve­zes me sinto in­co­mo­dado. Não no mau sen­tido da pa­la­vra, claro. Ape­nas me sinto um pouco cons­tran­gido quando re­cebo um afago acom­pa­nhado de uma per­gunta ge­né­rica so­bre um as­sunto qual­quer. A per­gunta ge­ral­mente é uma bola le­van­tada para você cor­tar. Mas o fato é que nem sem­pre es­ta­mos pre­pa­ra­dos para dar a cor­tada.

Um gar­çom, ou­tro dia, me disse, pela hora do al­moço, que o Pa­locci cai­ria. E caiu mesmo. Eu não po­de­ria ter feito pre­vi­são mais ade­quada. As­sim como mui­tos ana­lis­tas tam­bém não pu­de­ram. Não so­mos mais in­te­li­gen­tes, mais pers­pi­ca­zes ou mais res­pei­tá­veis em nos­sas opi­niões por­que so­mos jor­na­lis­tas. Po­de­mos ser ape­nas mais bem pre­pa­ra­dos. Mas isso, cui­dado, nem sem­pre quer di­zer muita coisa.

Esse pe­queno preâm­bulo é ape­nas para che­gar aqui: como é triste ver o apego de pro­fis­si­o­nais a essa cô­moda in­ver­dade. Como é pa­té­tico observá-los como se es­ti­ves­sem acima do bem e do mal. Como é in­te­res­sante cons­ta­tar es­ses es­pé­ci­mes não ra­ros do mundo jor­na­lís­tico – cheios de ges­tos, tre­jei­tos fa­ci­ais e, en­fim, cren­tes numa sa­be­do­ria cujo fun­da­mento está tão dis­tante de­les quanto eles es­tão de sua pro­fis­são.

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