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quinta-feira, 14 de abril de 2011 Texto de

Apoi­ou o co­to­ve­lo no bal­cão, vi­rou a ca­be­ça pa­ra um la­do e pa­ra ou­tro co­mo quem faz uma bre­ve ses­são de re­la­xa­men­to. Ti­rou a blu­sa e amar­rou-a ao pes­co­ço. Foi pe­dir uma cer­ve­ja. O gar­çom, en­tre­ti­do com a te­le­vi­são ins­ta­la­da no al­to da pa­re­de, não per­ce­beu o cli­en­te. Ele mes­mo, o cli­en­te, foi atraí­do pe­las ce­nas for­tes. Não en­ten­deu bem o que o apre­sen­ta­dor di­zia, mas tam­bém pa­ra quê?

O gar­çom, con­fun­din­do pe­di­dos, trou­xe-lhe um uís­que ba­ra­to, des­ses que pa­re­cem ser ge­ne­ro­sos mas na ver­da­de são ape­nas go­tas no meio do ge­lo. Ele, mal lem­bran­do-se do que que­ria to­mar, le­vou a be­bi­da à bo­ca. O apre­sen­ta­dor pa­rou de fa­lar. No in­ter­va­lo, ani­mou-se com a bun­da na te­li­nha e por is­so lem­brou-se da cer­ve­ja.

Um car­ro fre­an­do brus­ca­men­te bem em fren­te ao bar cor­tou-lhe a in­ten­ção de quei­xar-se ao gar­çom. O gar­çom es­pi­ou lá fo­ra: to­do dia al­guém é atro­pe­la­do nes­sa es­qui­na. O se­gun­do go­le do uís­que des­ceu ar­ra­nhan­do a gar­gan­ta e ele pen­sou que tal­vez fos­se me­lhor dei­xar a cer­ve­ja pra lá. Tra­gé­dia tem em to­do lu­gar. Não sou­be di­rei­to se o co­men­tá­rio foi de­le ou do gar­çom.

Pa­re­ce que foi gra­ve. Al­guém sen­tou-se ao seu la­do e pe­diu ao gar­çom a cer­ve­ja de to­do fim de tar­de. Nis­so, ou­viu o apre­sen­ta­dor di­zer a pa­la­vra es­co­la. Is­so ele pô­de com­pre­en­der. E daí lem­brou-se do fi­lho que vol­ta­va da au­la na­que­le ho­rá­rio. Um frio es­tra­nho me­teu-se em seu estô­ma­go. Sem pa­gar a be­bi­da, le­van­tou-se e cor­reu pa­ra a rua. Afi­nal, po­dia ser seu fi­lho.

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