Impressões

À mão

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 Texto de

Vi uma en­tre­vista de Nel­son Motta ou­tro dia e ele, flagrando-se ad­mi­rado, re­fle­tiu so­bre o jor­na­lismo sem o Go­o­gle. Para ele (e acho que pra todo mundo), algo im­pen­sá­vel hoje. Aos 65 anos, Nel­son Motta é um dos que es­tão na ativa e já pas­sa­ram por fa­ses bem dis­tin­tas do jor­na­lismo. Aqui eu me re­firo à ope­ra­ção, aos me­ca­nis­mos à dis­po­si­ção para a pro­du­ção do con­teúdo.

Quando eu co­me­cei a tra­ba­lhar em re­da­ção, em 1987, não ha­via Go­o­gle ou nada pa­re­cido. Nem com­pu­ta­dor. Era ainda a época do bom e ve­lho ba­tu­que nas má­qui­nas de es­cre­ver. De todo modo, não há nos­tal­gia que se sus­tente di­ante de tan­tos avan­ços tec­no­ló­gi­cos que fa­ci­li­ta­ram a ope­ra­ção jor­na­lís­tica.

Há, po­rém, algo pre­o­cu­pante: o co­mo­dismo como um ví­rus mor­tí­fero para o jor­na­lismo. O Go­o­gle e tan­tas ou­tras fer­ra­men­tas que tor­nam o co­ti­di­ano do jor­na­lista mais fá­cil e di­nâ­mico são tam­bém uma sé­ria ame­aça à ori­gi­na­li­dade, à cri­a­ti­vi­dade, ao san­gue novo que de­ve­mos to­mar todo santo dia para evi­tar­mos a pu­tre­fa­ção do que pro­du­zi­mos.

Nem tanto ao céu nem tanto à terra, diz o ve­lho di­tado, que cabe tam­bém nesse caso. A ilu­são de que a in­ter­net pode nos abas­te­cer sem que ti­re­mos a bunda da ca­deira (ave, Lula!) morre cedo ou tarde di­ante da sede vam­pi­resca do pú­blico por in­for­ma­ção nova e con­fiá­vel.

Em branco

Eu me lem­bro que uma vez – eu ti­nha aca­bado de sair da fa­cul­dade – che­guei à re­da­ção de­pois de ir para a rua co­brir um aci­dente em que um ca­mi­nhão ha­via tom­bado e inun­dado uma rua de gar­ra­fas que­bra­das e cer­veja quente. Per­gun­tei ao edi­tor que es­paço eu te­ria. A res­posta foi sim­ples: a pá­gina está em branco. Aahahahahhaha. 

Não ha­via se­quer um fe­rido. O trân­sito mal ti­nha sido pre­ju­di­cado por­que tudo acon­te­ceu numa rua se­cun­dá­ria. En­fim, va­le­ria uma foto com um texto-legenda. Mas a pá­gina es­tava em branco. E lá se fo­ram umas 12 lau­das. 12 lau­das x 30 li­nhas = 360 li­nhas. 360 li­nhas x 70 to­ques por li­nha = 25.200 to­ques (os ca­rac­te­res de hoje). Eu tive li­te­ral­mente de jun­tar to­dos os ca­cos dis­po­ní­veis para en­cher a pá­gina. Mas saiu. Que cha­tice! Aha­ahhahahaah. Mas que não ti­nha Go­o­gle, isso não ti­nha.

Tes­sá­lia

Po­bre e atra­sada. Po­rém, bela. Ao me­nos são as in­for­ma­ções ob­ti­das em rá­pi­das pes­qui­sas na in­ter­net.. Evan­ge­li­zada por Paulo. Aliás, Paulo de­di­cou duas de suas epís­to­las a Tes­sá­lia. Am­bas fa­lando so­bre a volta de Je­sus Cristo. Tes­sá­lia é uma re­gião na parte cen­tral da Gré­cia.

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