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7 pecados – Texto de Dudu Oliva

sexta-feira, 7 de março de 2008 Texto de

GULA

Foi ao Ja­pão para as­si­mi­lar a téc­nica da in­vi­si­bi­li­dade ninja. O apren­di­zado foi pro­vei­toso. Nas fes­tas, era im­per­cep­tí­vel aos olha­res de to­dos quando co­lo­cava sal­ga­dos e do­ces num saco plás­tico. De­pois, so­zi­nho, devorava-os em casa. 

AVAREZA

Cho­rou a morte da mu­lher, po­rém, um pen­sa­mento o ali­vi­ava. “Ainda bem que os pais dela pa­ga­ram o en­terro…” .

ORGULHO

Um dia, per­deu di­nheiro e não re­cor­reu a nin­guém. Seus pés fi­ca­ram em carne viva, por ca­mi­nhar quilô­me­tros até em casa. Mas seu rosto manteve-se er­guido.

PREGUIÇA

Mesmo que a avó a cha­masse an­gus­ti­ada, a neta per­ma­ne­ceu dei­tada. A cama es­tava bas­tante aco­lhe­dora.

INVEJA

Ca­lor aba­fado. A jo­vem olha por ho­ras as vitórias-régias. Dias de­pois, bió­lo­gos pro­cu­ra­vam as cau­sas das plan­tas mur­cha­rem tão ra­pi­da­mente.

IRA

O pai pe­diu para o fi­lho ar­ru­mar a ba­gunça. O me­nino fin­giu que não es­cu­tou. O pai que­brou o brin­quedo que ele mais gos­tava.

LUXURIA

Can­sada. To­mou ba­nho morno e se sen­tou no sofá. Li­gou a tevê, que pas­sava o de­se­nho pre­di­leto do fi­lho. Fi­xou os olhos no per­so­na­gem: forte, mãos gran­des e va­lente. Co­me­çou a ima­gi­nar como se­ria es­tar en­tre seus bra­ços mus­cu­lo­sos…
 – Que­rida, está bem?
Ela disse sim ao ma­rido que aca­bara de che­gar. ” Só sinto uma leve có­lica.”

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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