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Belmonte e Amaraí - Texto de João Pedro Feza

terça-feira, 13 de novembro de 2007 Texto de


Diz-se que quan­do um com­ple­ta o ou­tro igual fei­jão com ar­roz é por­que a pa­ne­la achou a tam­pa. A com­bi­na­ção per­fei­ta no amor tam­bém se apli­ca a ou­tros ti­pos de re­la­ci­o­na­men­to. Quan­do ami­za­de (mes­mo que tu­mul­tu­a­da) e ta­len­to se jun­tam, es­tá fei­to o es­tra­go no me­lhor dos sen­ti­dos: a au­di­ção.

É o ca­so da du­pla Bel­mon­te e Ama­raí: tal­vez o mais lin­do en­la­ce en­tre du­as vo­zes ser­ta­ne­jas. E que não eram só ser­ta­ne­jas: eram do bo­le­ro, da gua­râ­nia, da in­fluên­cia me­xi­ca­na e pa­ra­guaia. Do coun­try!

Eram vo­zes da ras­ga­da sin­ce­ri­da­de (“Des­de Que Te Vi”), do so­frer exa­ge­ra­do (“Im­com­pre­en­são” e “Te Ama­rei To­da Vi­da”) e da clás­si­ca nos­tal­gia de “Sau­da­de de Mi­nha Ter­ra” (com­pos­ta por Bel­mon­te e Goiá).

O fa­to é que, em seis dis­cos, fo­ram mi­lhões de có­pi­as ven­di­das. Mi­lhões mes­mo: só o ál­bum de es­tréia, em 1966, com “Sau­da­de de Mi­nha Ter­ra”, ul­tra­pas­sou 1,6 mi­lhão de có­pi­as. Uma pro­e­za pa­ra qual­quer épo­ca.

Bel­mon­te e Ama­raí aju­da­ram a inau­gu­rar uma no­va fa­se na mú­si­ca do cam­po, com o uso de pis­tons cho­ro­sos, har­pa, pi­a­no e bongô ao la­do da vi­o­la e vi­o­lão. Pas­cho­al To­da­rel­li (Bel­mon­te), com­po­si­tor ins­pi­ra­do nas­ci­do e en­ter­ra­do na Bar­ra Bo­ni­ta, vi­rou mi­to após sua mor­te em aci­den­te de car­ro em 1972, em Sant Cruz das Pal­mei­ras (SP), aos 34 anos. Em 2 no­vem­bro de 2007, com­ple­ta­ria 70 anos.

Do­min­gos Sa­bi­no da Cu­nha (Ama­raí) nas­ceu em Rui Bar­bo­sa (BA), co­nhe­ceu Bel­mon­te em São Pau­lo e fi­ze­ram his­tó­ria.

Ses­sen­tão, Ama­raí pas­sou a se apre­sen­tar em fei­ras com o fi­lho, Fran­cis Jr. Atra­ção da Grand Ex­po Bau­ru de ter­ça-fei­ra, 6 de no­vem­bro, Ama­raí é a pro­va vi­va, lím­pi­da e afi­na­da de que uma obra po­de ser eter­na.

Uma obra an­ti­ga que se re­vi­go­ra aos pou­cos com di­rei­to a co­mu­ni­da­des na
in­ter­net e lan­ça­men­to de no­vas gra­va­ções pa­ra seu res­pei­tá­vel e re­sis­ten­te pú­bli­co: os fãs da du­pla Bel­mon­te e Ama­raí. Cu­jo bri­lhan­te tra­ba­lho co­nhe­ci gra­ças a meu pai.

A du­pla aca­bou, meu pai se foi. Mas, co­mo se vê (ou me­lhor, se ou­ve, no me­lhor dos sen­ti­dos), nem tu­do mor­re com a mor­te. Não mor­re mes­mo.

E-mail: jfeza@bol.com.br

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