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La Vorágine – Texto de Dudu Oliva

sexta-feira, 13 de julho de 2007 Texto de

O li­vro narra as des­ven­tu­ras de Ar­turo Cova, que vi­aja à selva amazô­nica para re­a­li­zar so­nhos de gló­rias da ju­ven­tude. O li­vro co­meça com frag­mento de uma carta do pro­ta­go­nista, que re­vela o pro­cesso de de­sen­canto que Ar­turo so­freu ao longo da tra­ves­sia nas en­tra­nhas da selva. 

De­pois vem um pró­logo de José Eus­ta­sio Ri­vera (Colôm­bia, 1924), que in­tro­duz o pro­blema da es­cra­vi­dão e a vi­o­lên­cia que mui­tos so­frem, prin­ci­pal­mente os se­rin­guei­ros. A flo­resta tam­bém é uma grande ini­miga, mui­tos são con­su­mi­dos por do­en­ças ou pi­ca­das de in­se­tos e são de­vo­ra­dos por bes­tas fa­min­tas.

O au­tor dá uma ótica ver­da­deira e do­cu­men­tal na es­tru­tura da his­tó­ria, prin­ci­pal­mente no pró­logo: “Em es­sas pá­gi­nas res­pei­tei o es­tilo e as in­cor­re­ções do in­for­tu­nado es­cri­tor…” . Cova es­creve sua “ odis­séia” ou “in­ferno dan­tesco” num li­vro de con­tas e dá voz para ou­tros per­so­na­gens, os quais con­tam suas res­pec­ti­vas his­tó­rias e an­gús­tias.

Este re­lato che­gou às mãos de Ri­vera, um co­lom­bi­ano, es­cri­tor, po­eta, que exer­ceu o cargo de se­cre­tá­rio e fez vá­rias mis­sões di­plo­má­ti­cas em al­gu­mas na­ções ame­ri­ca­nas. Fic­ção e re­a­li­dade se mis­tu­ram, mos­trando pro­ble­mas di­a­lé­ti­cos que ocor­rem até hoje na Amé­rica La­tina: Ho­mem x A Flo­resta Vo­raz e Iden­ti­dade na­ci­o­nal x in­jus­tiça so­cial. A no­vela é uma das mais re­pre­sen­ta­ti­vas da li­te­ra­tura hispano-americana. 

La Vo­rá­gine é uma sín­tese de vá­rios es­ti­los li­te­rá­rios: ro­man­tismo, na­tu­ra­lismo e mo­der­nismo Hispano-americano*. José Eus­ta­sio Ri­vera foi po­eta e sem­pre compôs ima­gens in­ten­sas e for­tes em re­la­ção à selva. 

No li­vro há pas­sa­gens que vão do li­rismo ao gro­tesco. Al­guns crí­ti­cos de­fi­ni­ram que a no­vela co­lom­bi­ana é con­ta­gi­ada por vá­rias vo­zes. A sua nar­ra­tiva não é fe­chada e sim­ples, mas frag­men­tada.

Ar­tur Cova re­la­tava os acon­te­ci­men­tos no ca­lor das emo­ções, de­lí­rios e in­flu­en­ci­ado pelo clima hos­til da flo­resta amazô­nica. Logo, mui­tos te­rão a lei­tura que a Selva é a ver­da­deira per­so­na­gem prin­ci­pal.

* O Mo­der­nismo His­pâ­nico (XIX-XX) se as­se­me­lha mais com o sim­bo­lismo, já o mo­der­nismo bra­si­leiro (sé­culo XX) com as van­guar­das eu­ro­péias. “O termo mo­der­nismo, bas­tante con­tro­ver­tido, usado na crí­tica anglo-americana para referir-se a tes­tos an­ti­i­mi­ta­ti­vos e anti-realistas, nas li­te­ra­tu­ras his­pâ­ni­cas de­signa um de­ter­mi­nado mo­vi­mento li­te­rá­rio. Pri­meiro mo­vi­mento es­té­tico ori­gi­nado na Amé­rica, como signo de seu de­sen­rai­za­mento es­pi­ri­tual, sur­giu como uma ori­en­ta­ção ge­ral dos es­pí­ri­tos, uma ten­dên­cia in­te­lec­tual e cul­tu­ral. É a forma li­te­rá­ria de um mondo em trans­for­ma­ção, sín­tese das in­qui­e­ta­ções e idéias de uma classe que atin­giu seu apo­geu no sé­culo XIX e co­meça a de­cli­nar no sé­culo XX. Se­gundo a tra­di­ção sin­cré­tica da li­te­ra­tura hispano-americana, com­bi­nou o mundo an­tigo ao mo­derno, cons­ti­tuindo, no do­mí­nio das ar­tes, a re­per­cus­são de um es­tado de es­pí­rito pe­cu­liar a uma época, como to­mada cons­ci­ên­cia de seu tempo.” ( Pág.119). Se al­guém qui­ser sa­ber mais deste as­sunto, tem o li­vro da Bella Jo­zef: HISTÓRIA DA LITERATURA HISPANO-AMERICANA EDITORA: edi­tora, Fran­ciso Al­ves.
Ou­tras Di­cas:
LITERATURA E SUBDESENVOLVIMENTO-Antonio Can­dido: (http://www.ufrgs.br/cdrom/candido/index01.html) http://www.letelier.org/actas/catastro/ensayos/article_15.shtml

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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