Uma hora na­quela es­trada em­po­ei­rada, rumo ao vi­la­rejo mais po­bre e dis­tante, e al­can­çam o ca­mi­nhão uma mo­to­ci­cleta e um re­cado: “o pa­trão man­dou can­ce­lar a en­trega por­que o pre­feito disse que tá sem grana pra pa­gar”. O ca­mi­nho­neiro, que por acaso nas­ceu e se criou no tal vi­la­rejo dis­tante, onde ainda vi­vem seus pais ido­sos (e se­den­tos) a quem ele en­via men­sal­mente me­tade do sa­lá­rio, está na me­tade do ca­mi­nho en­tre a ci­dade (e seu em­prego) e a vila (se­denta). A exata me­tade do ca­mi­nho para um ho­mem não tem nada a ver com dis­tân­cias, mas é aquele ponto a par­tir do qual o es­forço para se­guir e para vol­tar são os mes­mos.

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