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Cinema de lágrimas – Texto de Dudu Oliva

quinta-feira, 28 de junho de 2007 Texto de

Quando vejo um filme que me mar­cou, re­cordo do dia quando o as­sisti, dos pen­sa­men­tos e dos sen­ti­men­tos que sen­tia na época. As­sisti a “Ci­nema de lá­gri­mas” (1995) quando fa­zia a mal­dita mo­no­gra­fia de fim de curso, em 2004. 

O tema abor­dado da mi­nha pes­quisa era a di­fe­rença en­tre no­ve­las me­xi­ca­nas e bra­si­lei­ras. Para en­ten­der a cons­tru­ção do con­ceito do me­lo­drama, pe­guei na bi­bli­o­teca da fa­cul­dade o li­vro “Me­lo­drama: o ci­nema de lá­gri­mas da Amé­rica La­tina” (1992), de Sil­via Oroz. 

Se­gundo a au­tora, no pe­ríodo da in­tro­du­ção do me­lo­drama mo­derno é a Co­mé­dia “Lar­moyante” seu an­te­ce­dente mais dis­tante. Este tipo de co­mé­dia baseou-se num sen­ti­men­ta­lismo con­ser­va­dor e com pre­o­cu­pa­ções mo­ra­li­zan­tes. Inspirava-se numa forte pai­xão ir­ra­ci­o­nal e baseava-se no prin­cí­pio de Rous­seau so­bre a bon­dade na­tu­ral do ho­mem.

Pai­xões su­a­ves e a vir­tude re­com­pen­sada são os te­mas da Co­mé­dia “Lar­moyante”, cujo fio con­du­tor é um forte sen­ti­men­ta­lismo. O sen­ti­men­ta­lismo con­ser­va­dor e a pre­o­cu­pa­ção mo­ra­li­zante fa­zem parte à es­tru­tura for­mal e ide­o­ló­gica re­la­tiva ao me­lo­drama ci­ne­ma­to­grá­fico. Tal como as pai­xões su­a­ves e a vir­tude re­com­pen­sada po­vo­a­ram seu uni­verso ar­gu­men­ta­tivo. O ro­teiro do filme foi ba­se­ado neste li­vro pela pró­pria au­tora Sil­via Oroz e pelo ci­ne­asta Nel­son Pe­reira dos San­tos. O filme pos­sui uma me­ta­lin­gua­gem e narra a his­tó­ria de Ro­drigo Fer­reira, que re­solve pro­cu­rar o filme, que sua mãe viu an­tes de mor­rer. Para ajudá-lo, con­trata um jo­vem es­tu­dante de ci­nema. Jun­tos, vi­a­jam para a Ci­dade do Mé­xico, com a fi­na­li­dade de con­sul­tar os ar­qui­vos da Ci­ne­ma­teca da Uni­ver­si­dade Autô­noma: bus­cam um me­lo­drama, o gê­nero que ob­teve imensa po­pu­la­ri­dade em toda a Amé­rica La­tina, en­tre os anos 30 e 50. 

Os fil­mes são es­co­lhi­dos de acordo com os prin­ci­pais te­mas abor­da­dos pelo me­lo­drama: o amor, a pai­xão, o in­cesto, a do­ença e a mu­lher. O re­corte fo­ram os fil­mes com a fo­to­gra­fia em P&B de Ga­briel Fi­gue­roa, os de­sem­pe­nhos de Ni­non Se­villa, Ma­ria Fe­lix e Li­ber­tad La­mar­que, a di­re­ção de Emi­lio Fer­nan­dez e Luis Buñuel. 

En­quanto na tela os fil­mes se su­ce­dem, uma ou­tra his­tó­ria de amor meio platô­nica acon­tece na pe­quena sala es­cura, en­tre o jo­vem es­tu­dante e o ve­lho di­re­tor. Existe um clima de sus­pense na his­tó­ria, que só será re­ve­lado no des­fe­cho.

OROZ, Sil­via. Me­lo­drama: o ci­nema de lá­gri­mas da Amé­rica La­tina. Rio de Ja­neiro: Rio Fundo, 1992.

http://www.rio.rj.gov.br/riofilme/site2005/site/filme_cada.php?id=74660265

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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