Namorados - Texto de João Pedro Feza | Márcio ABC

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Namorados - Texto de João Pedro Feza

terça-feira, 5 de junho de 2007 Texto de

Fe­liz Dia dos Na­mo­ra­dos, an­tes e de­pois da da­ta. Se vo­cê tem al­guém, por fa­vor, nun­ca dei­xe a coi­sa ni­ve­lar por bai­xo.

No co­me­ço, é aque­le fu­ror. Aque­la can­du­ra. Mis­tu­ra de fu­ra­cão e cal­ma­ria. Tu­do por ela. Tu­do por ele. Um no­jo sau­dá­vel de­mais.

Taí um pe­río­do de pu­ra ma­gia e en­ga­na­ção. De ilu­são com ares de con­cre­tu­de. Fa­se a se cur­tir até o os­so. E além de­le.

No pe­río­do de apro­xi­ma­ção, o es­tra­nha­men­to aju­da a cri­ar res­pei­to. O ou­tro ain­da é uma es­fin­ge. Is­so ins­ti­ga e ex­ci­ta. Fo­ra o ar de bo­bo, o sor­ri­so fá­cil e o te­são evi­den­te.

O pe­río­do de in­cu­ba­ção pa­re­ce cri­ar o in­só­li­to en­con­tro en­tre o platô­ni­co e o pal­pá­vel. É aque­le co­me­ço de tu­do, no qual to­dos os ma­nei­ris­mos do parceiro(a) são mo­ti­vo pa­ra ale­gria em du­pla. Os de­fei­tos são per­mi­ti­dos, ne­ces­sá­ri­os, bem-vin­dos. Com­põem a per­so­na­li­da­de ir­re­sis­tí­vel do amado(a). Tu­do é di­ver­ti­do, ma­li­ci­o­so e pu­e­ril.

De­pois de um tem­po... Bem, de­pois de um tem­po...

O de­sa­fio é ou­tro: a con­vi­vên­cia, o com­pa­nhei­ris­mo, o co­mo­dis­mo, o ca­si­nho for­tui­to. A hi­po­cri­sia. Sim, vo­cê vai pas­sar por ela. Ou ser ví­ti­ma de­la. E pro­ta­go­nis­ta tam­bém. De uma his­tó­ria hi­pó­cri­ta e nem tão cru­el as­sim.

Mas não há aqui de­sen­can­ta­men­to.

Só não ni­ve­le por bai­xo, por fa­vor.

E nun­ca, nun­ca mes­mo, en­tre­gue seu con­tro­le aci­o­ná­rio pa­ra ela(e). Ame, dê ve­xa­me, acre­di­te nis­so com to­da a for­ça de seus bra­ços fra­cos. Mas te­nha o con­tro­le de seus sen­ti­men­tos pa­ra não des­cam­bar num ciú­me des­tru­ti­vo, rui­do­so e ame­a­ça­dor.

E se­ja, ca­sa­do ou ini­ci­an­te, o que o no­me da coi­sa pres­su­põe: um ena­mo­ra­do. Jo­vi­al, con­vic­to e mui­to a fim. Des­de o co­me­ço. Mui­to a fim.

E-mail: jfeza@bol.com.br

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