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10 papos com Ruy Castro

quarta-feira, 16 de maio de 2007 Texto de

1 Você olha a pro­du­ção li­te­rá­ria na­ci­o­nal hoje e fica de bom hu­mor ou de mau hu­mor?
Ruy – De bom, claro. Existe uma ro­man­cista como He­loisa Sei­xas.

2 O ter­reno das no­vas pro­du­ções está árido ou há al­guma onda que se er­gue no mar? 

Ruy – Se você se re­fere às mi­nhas pro­du­ções, está para sair uma nova em ju­nho: “Tem­pes­tade de rit­mos – Jazz e mú­sica po­pu­lar no sé­culo XX”, pela Com­pa­nhia das Le­tras, com 58 ar­ti­gos meus so­bre es­ses as­sun­tos. É meio que uma co­me­mo­ra­ção dos meus 40 anos de im­prensa – sim! 

3 Suas obras põem um selo de qua­li­dade nas suas le­tras bi­o­grá­fi­cas, mas es­tas se­riam es­tre­las so­li­tá­rias que não acei­tam a com­pa­nhia, por exem­plo, de um ro­mance?

Ruy – Claro que acei­tam. No pas­sado, fiz um ro­mance – “Bi­lac vê es­tre­las”, em 1990 – e, para este fim de ano, es­tou es­cre­vendo ou­tro, que sairá pela Ob­je­tiva e cu­jos tí­tulo e as­sunto ainda são se­gredo.

4 Você tem sau­da­des do sé­culo 20 ou este 21 vai bem, obri­gado?

Ruy – Não te­nho ne­nhuma sau­dade de ano ou sé­culo ne­nhum – eles vi­vem em mim o tempo todo. E es­tou gos­tando mais ainda do atual. 

5 Você já es­cre­veu a obra da sua vida? Ou ainda vai es­cre­ver? Aliás, ela é ca­ri­oca?

Ruy – Cu­ri­o­sa­mente, acho que já es­crevi, sim. É o “Car­men – Uma bi­o­gra­fia”. Não vejo como fa­zer uma bi­o­gra­fia me­lhor – ou­tros po­de­rão fa­zer, não eu. Daí eu que­rer agora me de­di­car a ou­tros gê­ne­ros. E claro que ela, a Car­men, era ca­ri­oca.

6 Você é Fla­mengo ver­me­lho e ne­gro dos mais ilus­tres e certa vez fi­na­li­zou uma crô­nica ad­mi­rado que o Ron­di­nelli es­ti­vesse de pau duro no ves­tiá­rio logo de­pois de um des­ses jo­ga­ços no Ma­ra­canã. Em­bora cada vez mais vi­go­roso fora das qua­tro li­nhas, você acha que o fu­te­bol vem bro­chando no campo? 

Ruy – Não. Acho que o fu­te­bol está ótimo e gran­des jo­ga­do­res sur­gem o tempo todo. 

7 Fa­lando em por­no­gra­fia – e que “O Anjo Por­no­grá­fico” te­nha pi­e­dade de nós -, qual sua im­pres­são so­bre a “bo­lha” (se é que se trata disso) dos li­vros de ga­ro­tas de pro­grama e afins? Você tem ver­ti­gens ou eles ser­vem para ames­trar or­gas­mos?

Ruy – Não tomo co­nhe­ci­mento. De tem­pos em tem­pos in­ven­tam um tipo de li­vro para ven­der muito. É li­vro de auto-ajuda, ro­mance de can­tor de rá­dio ou de en­tre­vis­ta­dor de te­le­vi­são e, agora, li­vro de puta. No ano que vem, será ou­tra coisa. Eu ape­nas faço o meu ne­gó­cio e não fico pre­o­cu­pado com o ne­gó­cio dos ou­tros.

8 Você é da­que­les que às ve­zes pre­cisa se po­li­ciar e di­zer “opa, chega de sau­dade” ou acha que as trans­for­ma­ções sacro-web-mundanas são ar­re­ba­ta­do­ras e sem elas não há pai que vire mãe? 

Ruy – Não te­nho que di­zer “chega de sau­dade” por­que não sou sau­do­sista. A in­ter­net tem coi­sas boas, uma de­las o Go­o­gle, mas ne­nhuma é sa­grada. Já vivi sem, hoje vivo com e, se pre­ci­sar, vivo sem de novo. 

9 E o po­der? Tudo bem que de mau hu­mor não dá, mas não tá muito de bom hu­mor pra pouca graça? 

Ruy – Es­tou por fora. Há exa­ta­mente 17 anos não voto em nin­guém.

10 Já pen­sou num Big Brother com Nel­son Ro­dri­gues, João Gil­berto, Gar­rin­cha, Car­men Mi­randa, Tom Jo­bim, Vi­ni­cius de Mo­raes e o Ron­di­nelli to­mando ba­nho de pau duro??? 

Ruy – Tem muito ho­mem e só uma mu­lher nesse Big Brother. O que você está in­si­nu­ando?

Ruy Cas­tro Nas­ceu em 1948. Co­me­çou como re­pór­ter em 1967, no Cor­reio da Ma­nhã, do Rio, e pas­sou por to­dos os gran­des veí­cu­los da im­prensa ca­ri­oca e pau­lis­tana. A par­tir de 1990, concentrou-se nos li­vros. Pu­bli­cou, en­tre mui­tos ou­tros, as bi­o­gra­fias de Car­men Mi­randa, Gar­rin­cha e Nel­son Ro­dri­gues, e obras de re­cons­ti­tui­ção his­tó­rica, so­bre a Bossa Nova, Ipa­nema e o Fla­mengo. É ci­da­dão be­ne­mé­rito do Rio de Ja­neiro. (É as­sim que Ruy Cas­tro é apre­sen­tado no site da Com­pa­nhia das Le­tras).

As prin­ci­pais obras de Ruy Cas­tro

Chega de Sau­dade: A his­tó­ria e as his­tó­rias da Bossa Nova (1990)
O Anjo Por­no­grá­fico: A vida de Nel­son Ro­dri­gues (1992)
Sau­da­des do Sé­culo 20 (1994)
Es­trela So­li­tá­ria: Um bra­si­leiro cha­mado Gar­rin­cha (1995)
Ela é Ca­ri­oca (1999)
Bil­lac Vê Es­tre­las (2000)
O Pai que era Mãe (2001)
A Onda que se Er­gueu no Mar (2001)
Car­na­val no Fogo (2003)
Fla­mengo: Ver­me­lho e Ne­gro (2004)
Ames­trando Or­gas­mos (2004)
Car­men: Uma bi­o­gra­fia (2005)

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