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vivo - Texto de Thiago Roque

sábado, 12 de maio de 2007 Texto de

cor­ta, en­fia o de­do, ras­ga a pe­le, dei­xa san­grar.
es­fre­ga no as­fal­to, fu­ra com pre­gos, li­xa com ara­me far­pa­do, ba­te na ma­dei­ra - mas três ve­zes, por fa­vor, que é pra afas­tar o azar...
di­la­ce­ra a car­ne, que­bra o os­so, es­pa­lha o mús­cu­lo, faz o cor­po cus­pir dor.
acres­cen­te 2 xí­ca­ras (chá) de que­ro­se­ne, dei­xe de mo­lho por 12 ho­ras e le­ve ao fo­go por 2 mi­nu­tos, o tem­po pra flam­bar.
dei­xa in­fec­ci­o­nar. dei­xa apo­dre­cer. ofe­re­ce ao uru­bu de ban­que­te - mas com clas­se, brin­da com mer­cú­rio-cro­mo.
sai do pé, ga­nha ca­ne­la, jo­e­lho e co­xa, em­bru­lha o estô­ma­go com fi­ta cor azia, es­pa­lha pe­lo pei­to, tra­va bra­ços, tor­ce pes­co­ço, aper­ta a ca­be­ça.
mas não ma­ta.
por­que car­ne e os­so é sub­pro­du­to, so­bra de ilu­sões e ten­ta­ti­vas frus­tra­das de uma cri­a­ção di­ta di­vi­na.
so­nho é mai­or. é so­pro trans­cen­den­tal, ma­té­ria-pri­ma que se re­no­va, cres­ce, ama­du­re­ce, en­ve­lhe­ce... e vi­ve. oni­pre­sen­te e di­vi­no - sim, o so­nho é. sim­ples­men­te é.
so­nho dá di­ar­réia em uru­bu.
vo­cê não es­co­lhe ser fei­to de car­ne e os­so.
mas es­co­lhe mor­rer ape­nas co­mo car­ne e os­so.

E-mail: roque.thiago@hotmail.com

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