A mu­lher sem pin­tu­ra é uma fo­to­gra­fia em pre­to-e-bran­co. En­tão Ja­ni­ce pas­sa o ba­tom, e os lá­bi­os sa­li­en­tam-se car­nu­dos, co­mo o Osó­rio gos­ta. Ela apli­ca o blush, e a fa­ce cin­zen­ta ga­nha vi­da, bem co­mo ele gos­ta. Mas fal­ta al­go. En­tão Ja­ni­ce con­tor­na os olhos com um lá­pis, e eles bri­lham pa­ra o Osó­rio. Ago­ra o que era uma fo­to­gra­fia sem gra­ça vi­ra uma lin­da ra­pa­ri­ga, co­mo o Osó­rio gos­ta, sua noi­vi­nha. En­tão Ja­ni­ce es­cre­ve no ver­so da fo­to­gra­fia “mor­ra, Ma­ria Antô­nia, mor­ra”, e a en­ter­ra atrás de um tú­mu­lo no Ce­mi­té­rio Mu­ni­ci­pal, co­mo di­ta a sim­pa­tia.

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