Impressões

Django Livre e a autoesnucada de Tarantino

terça-feira, 22 de janeiro de 2013 Texto de

Gos­tei muito de Django Li­vre. Quem pode com um time desse?: Ta­ran­tino, Ja­mie Foxx, Ch­ris­toph Waltz, Le­o­nardo Di­Ca­prio e Sa­muel L. Jack­son? E aquela atriz linda (Kerry Washing­ton)? Achei a aber­tura ge­nial, com a mú­sica tema de Django (filme de 1966 di­ri­gido por Ser­gio Cor­bucci, com Franco Nero, aquele em que ele chega ar­ras­tando o cai­xão).

Aliás, há uma pas­sa­gem cu­ri­osa a esse res­peito. Numa certa ma­dru­gada em que es­tá­va­mos afo­gando as má­goas por­que o Diá­rio de Bauru ti­nha fe­chado e nós tí­nha­mos per­dido o em­prego, a con­vi­vên­cia com gran­des ami­gos e, na­quela hora, a von­tade de ser jor­na­lista, nessa ma­dru­gada, num bar, fa­lá­va­mos de ci­nema e ten­tá­va­mos lem­brar quem era o Django que che­gava ar­ras­tando o cai­xão (aliás, eu te­nho esse filme).

En­tão ocor­reu que não nos lem­bra­mos e con­ti­nu­a­mos to­mando cer­veja, fa­lando disso e da­quilo, a cada pouco vol­tando ao palco ter­rí­vel de nos­sas frus­tra­ções – o fe­cha­mento do jor­nal.

E lá pe­las tan­tas, de re­pente, eu me lem­brei. Eu me lem­bro de ter gri­tado à mesa “Franco Nero!!!!!”. E em se­guida houve um si­lên­cio. Por­que acho que nin­guém mais se lem­brava de que não tí­nha­mos nos lem­brado de lem­brar do Franco Nero. E mais em se­guida, to­dos ri­mos muito.

Mas vol­tando ao filme do Ta­ran­tino, a aber­tura é sim­ples­mente sen­sa­ci­o­nal. Não é só a mú­sica. São tam­bém os cré­di­tos, que lem­bram os ve­lhos fil­mes de fa­ro­este de an­ti­ga­mente, com aque­las le­tras gi­gan­tes­cas etc e tal.

E Franco Nero está lá! No filme.

Django Li­vre tem mo­men­tos óti­mos, fo­to­gra­fia ex­ce­lente, tri­lha so­nora de­li­ci­osa e, claro, tudo que se es­pera de um filme do Ta­ran­tino: san­gue, di­ver­são, fan­ta­sia, iro­nia e crí­tica po­lí­tica numa sequên­cia in­sana que mis­tura, por exem­plo, morte e graça. Ou ro­man­tismo e fria vin­gança.

Ch­ris­toph Waltz, mais uma vez, dá um show. Fica com ele a ta­refa de fa­zer o pú­blico res­pi­rar com ri­sos. E o in­crí­vel é que num pa­pel que guarda se­me­lhan­ças com o co­ro­nel Hans Landa, de Bas­ta­dos In­gló­rios (em que ele é sim­ples­mente um pro­fis­si­o­nal que caça ju­deus para os na­zis­tas, en­quanto que em Django Li­vre, do mesmo modo sem pai­xões, ele é um ca­ça­dor de re­com­pen­sas), o in­crí­vel é que nesse pa­pel ele con­se­gue pro­vo­car as mes­mas re­a­ções no es­pec­ta­dor sem, en­tre­tanto, re­pe­tir o per­so­na­gem do filme an­te­rior. Um ator fe­no­me­nal.

Le­o­nardo Di­Ca­prio faz a dele com pri­mor, mantendo-se no sta­tus de grande ator (e não ape­nas a ca­ri­nha bo­nita do iní­cio, bem lá atrás) em que se trans­for­mou.

Sa­muel L. Jack­son, como sem­pre, gran­di­oso. Aliás, ele me passa a im­pres­são de que mesmo que qui­sesse não con­se­gui­ria ser um mau ator.

E por in­crí­vel que possa pa­re­cer Ja­mie Foxx acaba meio que co­mum no meio das in­ter­pre­ta­ções dos de­mais. A culpa não é dele. O pa­pel dele, do he­rói, dá uma certa li­mi­tada em sua per­for­mance. Ele é muito bom, mas em filme de Ta­ran­tino os he­róis pre­ci­sam ser re­al­mente he­roi­cos para emer­gir do mar de san­gue e vi­la­nia.

Bom, tudo isto posto, fica a es­nu­cada a que Ta­ran­tino não fu­girá ileso: como su­pe­rar, com Django Li­vre ou qual­quer ou­tro, o ines­que­cí­vel Bas­tar­dos In­gló­rios? Ele que se vire.

Ouça a música-tema do filme, a mesma do Django de Franco Nero:

MEU RANKING PESSOAL
(Quan­tos fil­mes eu vi com eles)

Ato­res:
Le­o­nardo Di­Ca­prio – 19
Sa­muel L. Jack­son – 17
Ja­mie Foxx- 5
Ch­ris­toph Waltz – 3

Di­re­to­res:
Ta­ran­tino -7

 

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