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10 papos com o escritor Leonardo Brasiliense

segunda-feira, 16 de julho de 2007 Texto de

1 Você foi in­di­cado ao Ja­buti com um li­vro para ado­les­cen­tes (em­bora eu o te­nha lido e acho que ser­viu para mim tam­bém – rsrs­s­s­sss). É a esse seg­mento que você pre­tende se de­di­car mais a par­tir de agora ou a in­ves­tida foi por acaso?

Le­o­nardo – Esse li­vro foi es­crito por su­ges­tão de uma pro­fes­sora que tra­ba­lha li­te­ra­tura com ado­les­cen­tes e de um amigo es­cri­tor de li­vros ju­ve­nis. Am­bos vi­ram que o mi­ni­conto fun­ci­o­na­ria bem com nos­sos jo­vens apres­sa­dos. Por en­quanto, não te­nho ne­nhum ou­tro pro­jeto no gê­nero.

2 O mi­ni­conto, gê­nero que você tam­bém na­mora, pa­re­cia ter vindo com um fô­lego maior. Ou ele está aí e vai cres­cer?

Le­o­nardo – Há muito que se ex­plo­rar no conto. Não acho que o mi­ni­conto seja um gê­nero es­pe­cí­fico, mas ape­nas um conto bem pe­queno, muito sin­té­tico, que exige uma apre­en­são es­pe­cial do lei­tor.

3 Quando deu o es­talo de es­cri­tor em você?

Le­o­nardo – Na época da fa­cul­dade, quando eu ti­nha 22 anos. Não sei por que, mas de re­pente me deu von­tade de con­tar uma his­tó­ria. Es­crevi. De­pois deu von­tade de con­tar ou­tra… E por en­quanto a von­tade con­ti­nua.

4 O mé­dico ajuda o es­cri­tor ou o es­cri­tor ajuda o mé­dico?

Le­o­nardo – A ex­pe­ri­ên­cia de ver de perto o so­fri­mento hu­mano faz a gente ter mais res­peito pelo que es­creve. São ape­nas pa­la­vras, mas tra­du­zem coi­sas do­lo­ro­sas, e isso não se pode es­que­cer.

5 Quem está dor­mindo na sua ca­be­ceira?

Le­o­nardo – Nero, do Ale­xan­dre Du­mas.

6 A Flip aca­bou de aca­bar. A Flip cos­tuma atrair aten­ções, fi­gu­rões,
sen­sa­ções. Quase não há ou­tra coisa igual. Não é pouco para um Bra­sil
deste ta­ma­nho?

Le­o­nardo – Con­si­de­rando o nú­mero de lei­to­res deste país, há até even­tos li­te­rá­rios de­mais.

7 Como des­bra­var os vas­tos cam­pos fe­cha­dos até a pu­bli­ca­ção?

Le­o­nardo – Com per­sis­tên­cia e pa­ci­ên­cia. Acho que nunca con­se­gui pu­bli­car um li­vro an­tes de dois anos de sua es­crita. Isso por um lado é bom. O texto ama­du­rece e a gente acaba cor­tando ex­ces­sos.

8 Que pro­je­tos an­dam em suas te­clas?

Le­o­nardo – Um li­vro de con­tos ins­pi­rado num pa­rá­grafo do Li­vro Se­gundo da Me­ta­fí­sica de­A­ris­tó­te­les: “As­sim como os olhos dos mor­ce­gos re­a­gem à luz do dia, as­sim tam­bém a in­te­li­gên­cia que está em nossa alma re­age às ver­da­des que, por si mes­mas, são as mais evi­den­tes.” O tí­tulo do meu li­vro será “Os mor­ce­gos”.

9 A li­te­ra­tura imita a vida ou a vida imita a li­te­ra­tura?

Le­o­nardo – A única coisa real é a vida. A li­te­ra­tura é uma tra­du­ção im­per­feita que nos ajuda a compreendê-la, nada mais. 

10 Erico ou Luis Fer­nando?

Le­o­nardo – Erico.

Le­o­nardo Bra­si­li­ense é es­cri­tor e mé­dico em Santa Ma­ria (RS).

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