Impressões

‘Invisível’, livro de Paul Auster

domingo, 24 de outubro de 2010 Texto de

O au­tor norte-americano Paul Aus­ter, que nas­ceu em 1947

O li­vro mais re­cente de Paul Aus­ter, “In­vi­sí­vel”, é re­al­mente uma “fic­ção ver­ti­gi­nosa”, como o edi­tor es­creve na ore­lha da obra. É da­que­les que você quer ra­pi­da­mente ir até o fim. Mas, na parte fi­nal, eu fi­quei um pouco de­cep­ci­o­nado. Isso, en­tre­tanto, é algo muito pes­soal. Gosto de obras que de­sem­bo­cam em fi­nais sur­pre­en­den­tes ou vi­go­ro­sos.

Este li­vro de Paul Aus­ter faz o con­trá­rio. A nar­ra­tiva toda é vi­go­rosa, mas o fi­nal me dá a im­pres­são de uma queda gra­da­tiva, tal­vez por­que tudo, pra­ti­ca­mente tudo, já te­nha sido dito no trans­cor­rer da obra. 

Em 1967, em plena Guerra Fria e Guerra do Vi­etnã, Adam Wal­ker, um jo­vem es­tu­dante norte-americano, co­nhece um ca­sal de fran­ce­ses com quem se en­volve em vá­rios sen­ti­dos. O am­bi­ente sen­sual cri­ado en­tre eles sus­tenta a es­pi­nha dor­sal do li­vro até que ve­nham o que o edi­tor chama de “cír­cu­los in­fer­nais de ver­dade e ima­gi­na­ção, sa­ni­dade e lou­cura, crime e de­sejo”.

Qua­renta anos de­pois de ter vi­vido to­das aque­las ex­pe­ri­ên­cias, Adam Wal­ker pla­neja es­cre­ver um li­vro, que ele cha­mará de “1967”. Ele, con­tudo, não con­se­guirá fazê-lo so­zi­nho. No­vos per­so­na­gens e no­vos ân­gu­los com­ple­men­ta­rão o que ele co­me­çou. Esse aliás é um dos pon­tos al­tos do li­vro: a op­ção feita pelo mo­delo de nar­ra­tiva, em que vá­rios olha­res se in­te­gram ao ob­je­tivo de con­cluir “1967”. Eu re­co­mendo sim. 

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